Queremos e devemos todos saber!

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Queremos olhar nos olhos não só quem nos governa mas também quem nos governou ou pode vir a governar.

Queremos que nos digam ao que vieram e ao que virão. Queremos que nos digam que não ficaremos fechados em casa a vida toda, queremos que nos digam que os esquecidos outrora e lembrados agora não vão ser re-esquecidos nem atirados porta fora.

Queremos saber se doravante seremos uma nação ou o mesmo país que não temos sido, que seremos mais do que sempre fomos, e que o futuro não vai ser um preço pelos que salvámos mas sim a recompensa pelo que lhes dedicámos.

O significado do 25 de abril é diretamente proporcional à importância que temos que dar hoje e amanhã aos mais vulneráveis. Os tais mais idosos ou mais doentes ou mais o que vier a ser. Os tais que verão a sua liberdade afetada por mais tempo quendo eles próprios já têm menos tempo. Irónico!

Não há duvida de que vai caber à atitude dos mais jovens a salvaguarda dos mais idosos. Vai-lhes caber cuidar dos que nem sempre cuidaram, vai lhes caber uma silenciosa e inconsciente e talvez mesmo imposta retribuição pelo país que os mais velhos lhes deram. E vai caber a ambos a reciprocidade na comunhão e o fim da culpa que uns atiram a outros: Uns porque acham que os outros têm obrigações, outros porque acham que os uns têm direitos.

Se este vírus não servir para que todos percebam o seu papel equitativo e importância linearizada, então o raio do vírus não serve mesmo para nada! E todos os que morrerão, morrerão em vão, e todos os que viverão…viverão também em vão.

Eu quero mesmo saber o que os que nos governam vão fazer no dia a seguir aos muitos dias que se seguirão a seguir a Maio! A tática do quadrado deu-nos Aljubarrota contra os castelhanos, e deu-nos vantagem neste primeiro embate estrategicamente vencido, mas este vírus parece mais o Obelix a distribuir pancadaria aos romanos mesmo quando se escondiam num cubo cerrado de escudos maciços e capacetes de ferro forjado. Não há duvida de que vamos ter novos embates com o Obelix. Em bom rigor, temos que ter esses embates de uma forma ainda mais estratégica e medindo com pinças o efeito borboleta que cada um de nós representa. Espero muitas batalhas…mesmo muitas, e é fundamental que o SNS se aguente para que os seus alvos sejam mínimos mas sobretudo para que os danos colaterais não ultrapassem os danos principais.

Mas eu quero também saber porque raio as empresas não aguentam um mês de tormenta, nem as pessoas dois de escassez. É isso que eu quero saber porque isto não devia ser assim e cada um deveria ter a oportunidade para não depender das compreensivas esmolas do estado…até porque é o estado que retira grande parte da possibilidade de autonomia.  Mais do que isso eu quero saber como é que vamos garantir que isso não aconteça no futuro porque todos temos direito a poder poupar pelo menos o nosso cabaz de sobrevivência. Quero saber porque nos dizem que vamos pagar no futuro os custos económicos da pandemia e que me expliquem se isto não devia ter sido pago já lá atrás, com o que cada um de nós já deu. Quero portanto saber que conversa é essa de que vamos pagar “via impostos” os danos deste vírus, porque se os impostos fossem corretamente cobrados e gerassem oportunidade de poupança, não seria necessário o estado ser o pai daqueles cujos pais o estado secou em impostos.

Quero saber porque é que o estado ajuda e vai ajudar empresas que se secaram com dividendos, e que os estados se apressam a secar, fomentando gastos para reduzir impostos nos lucros. Quero saber tudo isso que está mal, e se o estado doravante nos vai obrigar e ajudar (a nós e às empresas) a ter no nosso Fundo de reserva, ou de emergência ou o que lhe quiserem chamar.

Quero que me expliquem que economias são estas tão frágeis e falsas, com países como os Estados Unidos, que andam à 4 anos arrogantemente a enaltecer a sua pujança e agora em 15 dias geraram 22 Milhões de desempregados e infinitos famintos. Onde estão os discursos arrogantes dos gigantes com pés de barro e lixo debaixo do tapete? Onde estão as economias fortes que dão as oportunidades aos cidadãos para construírem as suas próprias seguranças sem depender de um estado e das decisões e prioridades que quem governa define. As pessoas estão nas ruas a lutar contra o confinamento não por ser uma má ideia, mas porque não confiam nos seus governos e na sua gestão de consequências. Mas um cidadão não deveria ter que escolher entre arriscar a vida saindo à rua ou arriscá-la ficando em casa pois não?

E quero saber porque raio os estados estão a apoiar todos quando nem os meios chegam nem todos necessitam. O estado tem e deve apoiar os mais carenciados. Um lay-off generalizado pago pelo estado? E as empresas altamente rentáveis cuja quebra de 40% das vendas apenas significam perdas de 10% nos enormes lucros? Vamos pagar lay-offs de funcionários que a empresa tem obrigação e interesse em reter?

Quero que me expliquem muito do que aconteceu mas sobretudo do que vai acontecer, porque se algo ficou evidente é que o modelo económico atual não funciona e se vem la crise económica, é o momento de redesenhar algo que tem mesmo é que funcionar.

Quero sim, quero este 25 de Abril bem comemorado e explicado, porque quero saber essencialmente o que vai mudar. Quero saber se o estado vai promover a poupança e dar-lhe recompensa em vez de imposto. E se vai promover a autossuficiência de cada um para um próximo virús, ou um cometa, ou um terramoto em Lisboa, ou simplesmente um novo  Lehman Brothers, ou se nos vai carregar mais impostos para que na próxima vez aguentemos ainda menos do que os 15 dias.

O que se está a passar não é culpa do vírus, mas sim de um sistema que promove uma dependência doentia do estado. De empresas que não são fomentadas a fundos de emergência próprios, nem pessoas incentivadas a deixar de lado pouco que seja. Uma economia carregada de conflitos de interesses, em que o estado mais ganha quanto mais se gasta e ainda mais quando se gasta o que não se tem.

Portugal apanhou uma brutal boleia dos tempos em que os atentados de toso os lados não chegavam cá. Fizemos do turismo, da Auto Europa e da Galp os nossos maiores ativos exportadores e não investimos em nada mais. E o que vamos fazer agora? Manter uma mesma aposta numa área tao volátil que depende das companhias aéreas low cost, da Galp e das tantas variáveis que quase sempre fazem com que corra mal?

Também quero saber o que se vai fazer com a nossa eficiente gestão da pandemia, nomeadamente na confiança que isto possa gerar aos nossos turistas e residentes/reformados estrangeiros. Quero saber se esta enorme ameaça que nos assolou não poderá ser transformada numa enorme oportunidade.

Quero saber o que vai ser. Quero mesmo, porque também quero saber porque raio não cabiam consultas para diabetes em Janeiro mas em Março se rastrearam dezenas de milhares de pessoas. Ou porque não havia camas nos hospitais públicos e de repente se encaixaram milhares de doentes, quero saber porque é que conseguimos ser tão bons (os melhores) agora, mas não o fizemos antes, mas quero também que me expliquem porque é que atacaram tanto os enfermeiros e a sua bastonária à um par de meses, e agora lhes fazem vénias mesmo correndo o risco de receber o Covid de troca.

Não quero saber tanto do que está para trás, quero é saber se podemos ou não contar com a mesma determinação para a frente. Com a mesma entreajuda, com a mesma responsabilidade, com o mesmo pensamento estratégico, com a mesma informação à população, com o mesmo respeito e cooperação na assembleia, e com a mesma igualdade perante cada um dos cidadãos.

E já adianto que não espero nenhum 25 de Abril como os outros, porque este tem que ser diferente, muito diferente. Portugal tem que se reerguer da pandemia mas também da indiossincrasia  que nos congelou no tempo. Nós não somos os maiores, mas só nós nos podemos limitar de o ser e estamos cada vez mais voltados para esse caminho. Neste 25 de Abril quero compromisso dos que se obrigam. Quero saber que vamos sair melhor e mais fortes.

Andei semanas a fazer as contas de tantos outros e, dados de hoje, os países com mais mortes per capita são: Reino Unido, EUA, Espanha, Itália e Bélgica. É fácil dizer que foi o azar que levou mais voos contaminados para Itália do que para a Dinamarca. Pois bem, existem elos comuns nestes países: 3 deles (Belgica, Itália e Espanha andaram à deriva sem governo ou com governos de remedeio ). O Reino Unido andava a tentar governar-se com o desgovernado Brexit e os estados unidos…todos sabemos.

Não à coincidências tal como dizia a Margarida. São factos que estes governos pop up são muito apaixonantes no discurso, mas depois falta o peso da história responsável e do pensamento a longo prazo. Criam-se pazes podres de ideais que não encaixam, de populismos que desconcertam e desconcentram, de gente que quer ser gente convencendo as gentes que se preocupam com a gente.

Quero que neste 25 de Abril se separe o trigo do Joio, que se olhe em frente e com força, que se arrume com o ruído de fundo, com o discurso oco e com as pazes podres e que Portugal abra os olhos antes de entrar no caminho em que estes países entraram.

Enquanto houver bicharada a fugir dos incêndios que o CO2 facilita, vai haver vírus, mutos mais vírus a saltar espécies e a chegar a nós…ou outra coisa qualquer, porque como se diz e bem “shit happens”.

Fizemos um trabalho brilhante, faremos um trabalho brilhante com as replicas que vão vir, mas o desafio vai mesmo ser criar uma nova economia em que ninguém tem que viver no medo do próximo caos que virá.

 

Venha de lá esse 25 de Abril e libertemo-nos do passado.

 

Bernardo Mota Veiga

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