Pombo

1750 views

 Indústria Metalúrgica, Lda. fica situada junto a uma das praias mais conhecidas do norte do país – Miramar. Literalmente escondida no meio duma tranquila área residencial, envolta por jardins e sem sinais exteriores do processo fabril que decorre no interior, a Pombo foi criada em 1961 pelo tio-avô das duas responsáveis actuais da empresa, as irmãs Susana e Alexandra Pombo. O seu pai, Luís Pombo, foi o sucessor do fundador e o grande impulsionador da evolução tecnológica da empresa, apostando na vertente da exportação. Agora a terceira geração familiar está a consolidar a presença em mercados fora da Europa e também a afirmar a inovação e o design como características essenciais na identidade da marca de um dos mais conceituados fabricantes de acessórios para salas de banho do país, com clientes por todo o mundo, entre os quais as cadeias hoteleiras Sheraton, Hilton, Meridien, St. Régis, Radisson, Holiday Inn Express, Mélia, Intercontinental, Crown Plaza, Namaskar Hotels, Marriott, Mandarin Oriental, Hotéis Real, Tivoli, Mercure, CS Hotéis, Bom Sucesso Design Resort, TheYeatman Hotel do Grupo The Fladgate Partnership , alguns palácios em Paris como o Plazza Athénée, Le Meurice.

A Bica foi perceber o sucesso da Pombo, numa visita guiada à fábrica pelas duas dinamizadores do projecto, Susana e Alexandra Pombo.

Essa inovação tecnológica que o seu pai introduziu traduziu-se exactamente em quê?

Nessa época esta indústria era muito tradicional e essa inovação, que começou nos anos 80, focou-se não só na área produtiva, mas também na administrativa. Depois, já na década de 90, dá-se uma grande aposta na evolução tecnológica, que se mantém até hoje. Hoje a nossa preocupação é manter essa permanente atenção nas evoluções tecnológicas do sector, para que possamos estar sempre na linha da frente da inovação.

Isso representa uma procura constante?

Sim, temos vindo sempre a evoluir tecnologicamente. Estamos permanentemente a querer evoluir. É importante referir que não nos dedicamos a produções em massa, mas sim a nichos de mercado em que o valor acrescentado que as nossas peças têm é muito elevado porque valorizamos o detalhe que é conferido a cada uma delas. Quando um cliente compra um produto nosso, além do objecto propriamente dito, acaba por levar um pouco de nós e da emoção que colocamos em todo o processo de criação e desenvolvimento da peça. Elas são desenvolvidas por cada um dos colaboradores. Todos dão a sua opinião relativamente à forma como devem ser produzidas e aos materiais a utilizar e, desta busca constante de ideias, acabam por surgir colecções muito interessantes com a utilização de materiais pouco comuns, como, por exemplo, mármore, fibras recicladas, linho ou algodão.

A produção é feita exclusivamente em Portugal?

Somos uma empresa de fabrico nacional. Tudo o que fazemos é na nossa fábrica em Portugal. E mesmo os componentes que temos que comprar como os vidros, são sempre adquiridos a empresas que também produzem em Portugal. Assumi-mo-nos como uma empresa 100% nacional e que apenas incorpora produtos nacionais.
No vosso caso e tendo em conta o tipo de clientes que pretendem atingir, a diferenciação dos produtos é essencial. É muito importante. Trabalhamos um segmento de mercado em que a diferenciação é muito valorizada pelos clientes, daí apostarmos muito na qualidade, no design e nas características únicas e inovadoras dos nossos produtos.

A aposta no design e na busca de incorporação de novos materiais surge a partir de quando?

Foi sempre uma característica associada aos nossos produtos, mas é nos últimos 10 anos que essa aposta acaba por ser feita de uma forma mais intensa.

Essa afirmação surge para dar resposta a pedidos específicos de clientes ou foi algo que nasceu de uma análise de mercado que vos fez acreditar que seria algo que teria boa aceitação?

Sempre acreditámos que esse era o caminho. Esse objectivo esteve sempre presente na nossa visão estratégica para afirmar a
nossa marca. Estamos alinhados com o que o mercado exige, mas, ao mesmo tempo, também queremos definir tendências. Temos algumas linhas com enorme procura que são únicas. Não há nenhuma outra empresa a fazer o mesmo. Isto faz com que os nossos produtos sejam muito direccionados para clientes da área da arquitectura, do design de interiores e da hotelaria onde também somos muito fortes.

A presença em feiras é importante para a vossa estratégia comercial?

É fundamental para dar visibilidade à nossa empresa e aos nossos produtos e também para estarmos atentos às novas tendências.
Nestes eventos percebemos que estamos a caminhar no bom sentido quando vemos concorrentes a apresentar produtos em que é fácil constatar que são claramente inspirados nos nossos. Acaba por ser um motivo de orgulho.

Há pouco referiu que no processo de concepção são várias as pessoas que contribuem com ideias e participam nessa fase. Como é que funciona esse processo criativo?

É importante referir que a Pombo é uma empresa familiar. Não temos complicações em termos de hierarquia. Há uma enorme facilidade de diálogo e de comunicação entre todas as pessoas e isto acaba por fazer com que todos se esforcem por dar o seu contributo e deixar a sua marca nos produtos que são criados. Acreditamos que cada peça não é meramente um objecto que se cinge à sua dimensão física, pois incorpora um pouco dos nossos sonhos e fazemos questão de partilhar essa vertente emocional com o público.

Neste momento estão com forte crescimento em mercados fora da Europa. Qual a razão para terem decidido apostar em novos mercados internacionais?

A recente crise fez com que tivéssemos necessidade de procurar novos mercados. Começámos nos Estados Unidos com enorme sucesso e depois avançámos para o Sudoeste Asiático e para o Médio Oriente.

Esses novos mercados implicaram um ajuste no design para ir ao encontro do que os clientes nessas novas geografias procuram?

Em termos de estilo, sempre tivemos quatro vertentes: clássico, contemporâneo, luxo e aquele a que chamamos transitional em que
damos acabamentos modernos a peças mais tradicionais. Partindo desta base ajustamos a oferta dando mais enfoque ao tipo design que mais se ajusta às características específicas de cada mercado.

Na Europa quais são os Países com mais peso nas vossas exportações?

Claramente a França e o Reino Unido. E Portugal que representa 20% da nossa facturação e onde somos líderes no nosso segmento.

Desde o tempo da fundação da empresa, quais foram as alterações mais relevantes na área produtiva?

Quando a empresa foi criada, o trabalho era muito manual, era muito artesanal. Isto é algo que ainda se verifica actualmente, mas é evidente que agora há uma série de processos, como por exemplo a galvanização, em que as coisas são feitas com recurso a máquinas.
Isto não teve um impacto muito grande na optimização de custo, pois não temos produção em massa, mas permitiu melhorar muito a
qualidade do produto final.

E quais vão ser as grandes apostas no futuro?

Um dos maiores projectos prende-se com a transformação digital da empresa. Já foi feito algum trabalho, nomeadamente na área dos
protótipos com a utilização de impressoras 3D, mas queremos que essa transformação digital esteja presente em todas as áreas, desde o processo de encomenda até à entrega dos produtos ao cliente.

Por: Nuno Maia
Foto: Pombo 

Este site utiliza cookies para permitir uma melhor experiência por parte do utilizador. Ao navegar no site estará a consentir a sua utilização. Mais informação

Se não pretender usar cookies, por favor altere as definições do seu browser.

Fechar