Pedro Melo Alves apresenta-se em dose tripla no Museu de Serralves

A Fundação de Serralves vai receber, em outubro, o baterista e compositor português Pedro Melo Alves para três apresentações, que irão decorrer no Museu de Arte Contemporânea de Serralves: uma performance site specific e uma conversa, no âmbito da exposição Vexation of Spirit. A Coleção Duerckheim x Serralves; e ainda o concerto transdisciplinar ΞllllllΞ.
Pedro Melo Alves é um dos artistas de maior relevância na cena musical vanguardista dos últimos anos em Portugal. Explorador das possibilidades expandidas da percussão, improvisador, compositor para pequenas e grandes formações e programador, o seu trabalho é conhecido pela atitude exploratória e pelo cruzamento ambicioso de circuitos estéticos, da música erudita e jazz, à música eletrónica e experimental.
// Concerto 
 
ΞIIIIIIΞ
18 de outubro | 18.30 horas
ΞllllllΞ [lido “imm”] é uma narrativa sensorial transdisciplinar, na intersecção entre música, tecno-performance e artes digitais. Interrogando os elos comuns entre a cultura erudita, o mainstream pop, os movimentos urbanos e as suas raízes ancestrais, ΞllllllΞ apresenta-se como um palco aberto à discussão ontológica contemporânea e à investigação transhumanista e pós-humanista.
Quatro músicos, uma equipa de artistas multimédia e um performer ocupam o centro do espaço. Quão bem nos conhecemos a nós próprios? Para onde nos estamos a dirigir? O público é convidado a habitar um ambiente imersivo em 360º, um organismo vivo onde sensores e uma plataforma interativa traduzem os seus gestos, memórias e opiniões numa pesquisa sobre a condição humana. A música estabelece-se na urgência dos movimentos pop e batidas urbanas, cruzando-os com as linguagens da música contemporânea, jazz e eletrónica experimental. Um corpo original de arte digital e uma estrutura multimedia reativa de vídeo, luz e som conduzem a narrativa por entre as linguagens híbridas e processos em tempo real da cultura pós-internet. De que matéria é feito o impulso primordial da humanidade para transcender os seus limites?
A cada apresentação, ΞllllllΞ colabora com um novo performer e aproxima-se de uma nova comunidade, alimentando uma obra de composição contínua que transcende o palco e se materializa na plataforma ΞllllllΞ:MATER. Unindo pensamento crítico e criação audiovisual, formatos físicos e virtuais, o projeto expande-se através de um ciclo de exposições de arte, de uma plataforma digital, de uma editora e de um ciclo de debates.
Para a sua criação foi reunida uma equipa internacional de 18 artistas e programadores especializados na investigação de novas práticas artísticas. O projeto conta ainda com a participação de performers convidados de referência, como Vera Mantero, e com uma rede de parcerias com instituições como o Museu de Arte Contemporânea de Serralves, o MAAT – Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia, as Carpintarias de São Lázaro, o Festival de Artes Urbanas Iminente, a ZABRA – Posthuman Art Research Center, o LuxFrágil, a Lovers & Lollypops e o GrETUA – Grupo Experimental de Teatro.
// Performance
 
Triggering Memory
3 de Outubro | 12 e 16 horas
Em Triggering Memory, uma performance site-specific de 60 minutos integrada na exposição Vexation of Spirit. The Duerckheim Collection x Serralves, a bateria acústica apresenta-se como um sistema de contraponto político e estético. Em diálogo direto com as obras que habitam a galeria, marcadas por reflexões sobre memória, trauma e as estruturas de poder dos últimos 70 anos, a articulação percussiva aciona e molda em tempo real um arquivo sonoro de samples e discursos da cultura contemporânea.
Partindo do vocabulário da bateria acústica de Pedro Melo Alves, cada ataque e dinâmica funciona como um disparador para uma camada eletrónica paralela, desconstruindo fragmentos sonoros com carga sociopolítica. A acústica do instrumento serve de vetor para a emergência de vozes, ruídos e amostras do presente, criando uma arquitetura de som em constante metamorfose. Entre a improvisação rigorosa e o controlo tecnológico, a performance estabelece um diálogo vivo com as obras em redor, transformando a galeria num território de ressonância crítica, onde a memória histórica da arte contemporânea converge com as urgências do mundo atual.
// Conversa
 
Pedro Melo Alves e Cerith Wyn Evans 
3 de Outubro | 18 horas
Depois da performance, o artista junta-se a Cerith Wyn Evans (País de Gales, 1958) para uma conversa. O imaginário conceptual e teórico de Cerith Wyn Evan traduz-se em obras em que a luz, o som e o texto definem uma estratégia criativa que combina e articula linguagens distintas. É o exemplo a escultura sonora “Twelve Tones for Ryōan-ji”, presente na exposição Vexation of Spirit. Composta por 12 flautas de cristal, homenageia os compositores John Cage e Arnold Schoenberg, e entra em diálogo direto com os visitantes utilizando o método de Schoenberg dos doze tons.
Nesta conversa, os dois artistas exploram os diálogos interdisciplinares que atravessam as suas práticas, revelando os pontos de convergência no discurso sonoplástico, entre os seus universos conceptuais e processos de criação.
@veramarmelo
// Sobre Pedro Melo Alves
Nascido em 1991, no Porto, Pedro Melo Alves estudou Bateria Jazz (ESMAE, Porto, 2011), Piano Jazz e Clássico (ESTAL, Lisboa, 2014) e Composição Musical (ESML, Lisboa, 2015). O seu trabalho tem sido reconhecido com diversas distinções (Prémio de Composição Bernardo Sassetti, El Intruso Banda Revelação 2021, Premio Internazionale Giorgio Gaslini) e tem colaborado com artistas internacionais nas áreas da música, performance e cinema como Tony Malaby, Sun Ra Arkestra, Ingrid Laubrock, Peter Evans, Leo Genovese, Camila Nebbia, Eve Risser, Susana Santos Silva, Mark Dresser, Sara Serpa, Jim Black, Ra Kalam Bob Moses, Hery Paz, Joe Morris, Meg Stuart, Vera Mantero, Peter Kleinert ou Gaya de Medeiros. Ao longo dos anos tem percorrido palcos como The Public Theatre (EUA), Suoni Per Il Popolo (Canadá), Funarte (Brasil), Jazzahead! (Alemanha), Europe Jazz Conference (Portugal), Europavox (França), Le Botanique (Bélgica), Bimhuis (Holanda), Porgy&Bess (Áustria), Budapest Music Centre (Hungria), RoteFabrik (Suiça), Dampfzentrale (Suíça), Saalfelden Jazz Festival (Áustria), Ljubljana Jazz Festival (Eslovénia), Belgrade Jazz Festival (Sérvia), 12 Points Festival (Irlanda), Südtirol Jazz Festival (Itália), Primavera Sounds (Portugal), Paredes de Coura (Portugal), Alkantara (Portugal) ou Jazz em Agosto (Portugal). Nascido em 1991 no Porto, Pedro Melo Alves estudou Bateria Jazz (ESMAE, Porto, 2011), Piano Jazz e Clássico (ESTAL, Lisboa, 2014) e Composição Musical (ESML, Lisboa, 2015). Um atual bolseiro da Civitella Ranieri Foundation, Pedro lidera e compõe para projetos como a sua Omniae Large Ensemble, o projeto multimedia ΞllllllΞ:MATER, The Rite of Trio ou In Igma. Foi artista residente na Galeria Zé dos Bois com o ciclo de improvisação Conundrum, toca nos duetos de percussão com João Pais Filipe ou Pedro Carneiro, e pertence a vários projetos internacionais como HIIT, Luís Vicente Trio, Alma Tree com Ra Kalam Bob Moses e Vasco Trilla e bandas indie como Surma ou Memória de Peixe. Em paralelo, Pedro compõe para Teatro, Dança, Cinema, recebe encomendas de música erudita e programa ciclos de música no Água Ardente (Lisboa).
// Sobre Cerith Wyn Evans
Cerith Wyn Evans (Llanelli, País de Gales, 1958) é conhecido pelas suas práticas artísticas diversificadas, incluindo escultura, instalação, fotografia, cinema e texto, e pela sua abordagem única à arte, explorando frequentemente temas como a linguagem, a perceção e a temporalidade. Após estudar na Saint Martin’s School of Art e no Royal College of Art em Londres, Evans colaborou com Derek Jarman, uma influência importante na sua carreira. Embora tenha usado o filme e o vídeo nos seus primeiros trabalhos, as luzes de néon e o texto, que frequentemente incorpora referências literárias e filosóficas, criando experiências imersivas e provocadoras para os espectadores, vieram a assumir grande protagonismo na sua produção. Em 2003, Cerith Wyn Evans representou o País de Gales no pavilhão inaugural do país na 50.ª Bienal de Veneza, onde também participou em 1995 e 2017. A sua carreira artística é marcada pela participação em grandes exposições internacionais como a Documenta 11, Kassel (2002), a Bienal de Istambul (2005), a Trienal de Yokohama (2008), o Skulptur Projekte Münster (2017) e a Bienal de Liverpool (2021), e exposições individuais em instituições de destaque como a Tate Britain, Londres (2010), o Musée d’Art Moderne de la Ville de Paris (2006) e a Serpentine Gallery, Londres (2014). Exposições mais recentes incluem a sua mostra individual no Museo Tamayo, Cidade do México (2018), Pirelli HangarBicocca, Milão (2019), Aspen Art Museum (2021), Sogetsu Kaikan, Japão (2023), Centre Pompidou-Metz (2024) e Museum of Contemporary Art Australia, Sydney (2025). As obras de Cerith Wyn Evans estão presentes em várias coleções prestigiadas, incluindo a Tate Collection, Londres; o Museum of Modern Art (MoMA), Nova Iorque; a Fondation Louis Vuitton; o Centre Pompidou, Paris; e o Guggenheim Museum, Nova Iorque.
Foto destaquel : © Renato Cruz Santos
Fonte: serralves.pt
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