O FIM, com texto inédito de Gonçalo M. Tavares

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“Com mais arrogância que dificuldades científicas, confundindo fraqueza de fisiologia com fraqueza de mundo, eis o homem, eis o homem que acredita que a beleza se gasta. Mas não: ela passa é de ti – que envelheces – para ele – que começa a ser jovem.”

O FIM, uma criação da companhia de teatro Momento – Artistas Independentes, estreia-se em Lisboa de 2 a 4 de fevereiro, no Teatro São Luiz. Com encenação de Diogo Freitas, o espectáculo parte do texto inédito “A Velhice”, de Gonçalo M. Tavares, e dá continuidade ao trabalho de cruzamento de artes que a companhia tem vindo a explorar – teatro, música, dança, performance e, desta feita, uma novidade: o novo circo.

Patenteando um espaço poético, não representativo, com quatro vozes que nele habitam e descobrem aquele universo, o espectáculo gira em torno do tema “fim”, englobando os seus vários aspetos: o fim como término; como novo começo; como uma etapa de um ciclo; como centro do mistério e especulação; como infinito; como algo poético; como algo palpável; como ideia de desespero; como ideia de alívio; como esperança; como união; como separação; como vazio; como preenchimento; como objetivo; como inevitável.

Através da experimentação, da pesquisa teatral e do cruzamento de áreas, a jovem companhia de teatro Momento – Artistas Independentes tem vindo a procurar uma nova linguagem artística. No texto do reconhecido autor Gonçalo M. Tavares, encontrou uma parceria verdadeiramente simbiótica em pontos tão importantes do seu trabalho como o “passado VS presente” ou a “poesia VS crueza”.

SINOPSE
Quatro almas vagueiam por aquilo que é, aos nossos olhos, a sala de espera de um hospital. Cada uma tem uma razão muito forte para ali estar e, talvez, para habitar aquele espaço para todo o sempre, como se congelassem o instante lúcido em que se apercebem estar mais próximas da Morte – a fiel companheira. Ecoando como um grito de desespero, de loucura, de força e de vulnerabilidade, as transformações nas suas vidas individuais passadas coletivamente naquela sala branca acabam por revelar que, na verdade, só a Morte é o verdadeiro melhor amigo do Homem. Assim, do pálido realismo ao saturado surrealismo, o espetáculo representa as fases da vida que forçam o recordar daquilo que, como seres humanos, melhor gostamos de esquecer: a efemeridade da vida. E que doloroso é relembrar que estamos só a uma palavra do nosso próprio fim.

Fotografias: José Caldeira

Fonte: wakeup.com.pt
 

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