o cuidado | exposição Patrícia de Herédia

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INAUGURAÇÃO
31.01 às 18H30
Patente de 01.02 a 29.03
CENTRO CULTURAL DE CASCAIS
O Cuidado, de Patrícia de Herédia, é a nova exposição do Centro Cultural de Cascais. Trata-se de um conjunto de obras, algumas inéditas, de técnica mista sobre tela e papel e instalação vídeo. A mostra apresenta ainda impressão de fotografia sobre acrílico, um trabalho criado pela artista em conjunto com o fotógrafo Tiago Fezas Vital.

A organização é da Fundação D. Luís I e da Câmara Municipal de Cascais, no âmbito da programação do Bairro dos Museus.

Cuidar é consolar. É olhar do avesso, partir do outro. E ver a cor do sangue a formar-se e, com espanto e alegria, perceber que sendo igual é diferente. Cuidar é um verbo antigo e lindo que significa nada menos que amar.

A propósito do amor e da amizade escreveu D. Francisco de Portugal, no século XVII, estas palavras tão belas como necessárias: «O amigo pretende para o que sempre ama e o amante para o que pode deixar de amar. Um cuida de si, o outro descuida-se de si». Cuidar é descuidarmo-nos de nós, entregarmo-nos a quem amamos sem querer troca ou agradecimento. É o máximo exercício de liberdade afectivo porque não quer reciprocidade – como o amor dos pais aos filhos ou dos filhos aos pais. Cuidar é fazer do amor uma flor comum e rara ao mesmo tempo.  

Cuidar é ter tempo. Mais: é usar o tempo, entidade inventada por nós, em favor do outro. Arrumar as imperfeições da vida, alisar as arestas dos dias. Muitas vezes cuidar ajuda a redimirmo-nos de nós próprios. 
Cuidar é tudo isto e o tanto que nos oferece a caligrafia pictórica de Patrícia de Herédia, uma letra pintada que diz muito e diferente a cada um. É uma mensagem bem-vinda num mundo que parece viver para as barricadas e menos para os abrigos. 
No cuidar encontramos santuário. Cuidem-se, cuidemo-nos.
Patrícia de Herédia
Nasceu em Lisboa, em 1973. Frequentou diversos cursos de pintura, estudou História de Arte e Desenho, na Escola de Arte ArCo, em Lisboa. Nos EUA (Flórida), formou-se em arte. Realiza exposições individuais e participa em coletivas, estando a sua obra representada em coleções públicas e privadas, em Portugal e noutros países, como França, Inglaterra, Austrália, EUA e Polónia.
Foto: Raízes #02 | Impressão s/acrílico | 2019
Fonte: Fundação Dom Luís I

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