Fig.1 – Arnaldo Louro de Almeida. Fotografia na Expo 92 (Exposição Mundial em Sevilha), 1992.
Fig.2 – Carregando areia – Arnaldo Louro de Almeida. Pintura a óleo (145 cm x 200 cm), de 1953. Coleção da FBAUL.
A Arte é memória, partilha, sensibilidade/afeto, fascínio. A História da Arte começa neste agosto de 2026, por assinalar o centenário do nascimento do pintor Arnaldo Louro de Almeida. Este pintor nasceu a 1 de agosto de 1926 em Lisboa. Foi seu pai, Manuel Guilherme de Almeida (1898-1992) e sua mãe Alice Marques Louro de Almeida (1907-1983). Num país que convive diariamente com o esquecimento de artistas, trazer à celebração um pintor português, é trazer as autorias, a sua condição para o conhecimento, o seu cruzamento com a técnica adquirida, em suma seguir-lhe o rasto. O artista casou com Aixa Tavares e Pinho Louro de Almeida em 1961. Deste enlace matrimonial nasceram quatro filhos.
Arnaldo Louro de Almeida concluiu o Curso Superior de Pintura, da Escola de Belas-Artes de Lisboa em 1953, com 20 valores. E, foi nesta cidade que, revelou os seus primeiros trabalhos, na I Exposição Geral de Artes Plásticas e em outras organizadas pela Sociedade Nacional de Belas Artes. Nos Salões da Primavera obteve: uma Menção Honrosa em 1949; o prémio da 3.ª medalha em óleo em 1953; o prémio da 2.ª medalha em óleo e a Bolsa de Viagem José Malhoa, em 1957.
Participou em diversas exposições coletivas e individuais e em organismos diversos como: exposição da XIII Missão Estética de Férias, Caldas da Rainha/ Óbidos, em 1950; exposição Individual na Sociedade Nacional de Belas Artes, com pintura (óleo, têmpera), aguarela e gravura, em 1952; exposição “Pintores Modernos Portugueses”, na Faculdade de Ciências de Lisboa, em 1955; “Primeiro Salão dos Artistas de Hoje”, na Sociedade Nacional de Belas Artes, em 1956; “I Exposição Nacional de Pintura”, integrada nos IIos Festivais de Música e Belas Artes da Madeira, que decorreu no Funchal, em 1960; exposição “Preâmbulo” realizada de Julho a Setembro, no Museu de Arte Contemporânea do Funchal, em 2009 (participação póstuma).
Da sua obra, constam para além de pintura, desenho, gravura, serigrafia (série “os Saltimbancos”, de 1948; série “Nazaré; O Naufrágio”, de 1950), painéis cerâmicos (na Escola Primária n.º 44 do Bairro Santos, Lisboa, 1954-1956; fachada dos correios das Caldas da Rainha, em1978-1979). Outras técnicas foram por ele trabalhadas: vitral na Escola Técnica Elementar Francisco de Arruda, em 1958; Laca no Hotel Ritz, em Lisboa, em 1959; Hotel Santa Isabel e Hotel Monte Rosa, no Funchal em 1962-63; Baixo-relevo de cantaria, presentes no edifício da Caixa de Previdência/Centro de Saúde do Bom Jesus, no Funchal em 1963; Têmpera na Escola Secundária Francisco Franco, no Funchal em 1968.
O pintor Arnaldo Louro de Almeida que pintava ao som de grandes compositores, como Mozart (A Flauta Mágica), Brahms, Mahler, Satie, Debussy, Ravel, Grieg (Peer Gynt), Falla, Bartók, Stravinsky (Sagração da Primavera), Luís de Freitas Branco, Hindemith (Matias, o Pintor), Lopes-Graça, Leonard Bernstein e Joly Braga Santos, entre muitos outros, plasmou nas telas a necessidade de um tempo mais humanizado. A pintura, a música e a arte enlevavam o pintor numa pulsão fecunda criativa.
Os seus quadros revelam bem, em tintas e formas, a tensão terrível entre oprimidos e o sistema opressor (a presença de operários, pescadores, peixeiras, pastores, desempregados, a mulher que cata o lixo, a trapeira, as mulheres que acartam areia para a construção de uma barragem, os saltimbancos e artistas de ruas circenses; os efeitos cenográficos de seres desprotegidos duma realidade social e política, mas fraternos entre si). A arte de Arnaldo Louro de Almeida revela na execução do seu programa imagético, um resgate pela liberdade de ser, agir e pensar, em pleno Estado Novo, fugindo à norma e tornando-se numa figura de contestação e de crítica ao regime. Foi preso pela PIDE, por razões políticas. Viu obra sua apreendida pelo mesmo organismo repressivo, (por intervenção direta do recém-empossado Ministro do Interior, Augusto Cancela de Abreu), como a pintura a aguarela, sem título apresentada na Exposição Geral de Artes Plásticas (EGAP) de 1947, por ser considerada antinacional e subversiva.
Fig.3 – Obra em aguarela. Sem título. Arnaldo Louro de Almeida. Apreendida pela PIDE, na Exposição Geral de Artes Plásticas (EGAP), de 1947.
Essa temática imagética da sua pintura, levou a que alguns críticos, o tenham nos registos de ser um pintor com um percurso, entre outros, no neorrealismo português.
O conhecimento que tinha sobre arte levou-o a exercer funções de professor na Escola António Arroio (veio a ser seu diretor), Escolas Industriais Afonso Domingues e Machado de Castro, Escola Industrial e Comercial do Funchal. Foi também Diretor e professor dos Cursos de Belas-Artes, da Academia de Música e Belas-Artes da Madeira. Esteve nos órgãos sociais da Sociedade Nacional de Belas Artes, sendo secretário da direção nos anos 50.
Arnaldo Louro de Almeida foi objeto de uma biografia (“Biografia de Arnaldo Louro de Almeida (1926-2008). Pintor neo-realista, professor de Belas Artes, pedagogo, humanista, homem de artes, de saberes multifacetados, pai, irmão e avô”), por Guilherme de Almeida (seu irmão), numa edição de autor, em Lisboa 2023.
As diversas obras de arte, que Arnaldo Louro de Almeida deixou, necessitam de uma retomada vivência, sentido e memória. Percebê-lo e valorizá-lo implica sempre um olhar contemporâneo, pelo que a celebração deste centenário do seu nascimento, é uma articulação / “viagem” pelo seu talento artístico, reforçando a importância simbólica do património que nos legou para além dos tempos. Trata-se de olhar as suas diversas fases, as problemáticas inerentes, de perceber o que a obra de arte nos diz de Arnaldo Louro de Almeida. A celebração deste centenário procura alargar os âmbitos de análise e leitura, do seu trabalho artístico, fazer a divulgação da obra do pintor.
Fig.4 – Mulheres do Mar – Nazaré. Arnaldo Louro de Almeida. Pintura a óleo (113 cm x 150 cm), de 1953. Prémio da 3.ª Medalha em Óleo, da Sociedade Nacional de Belas Artes.
Fontes/Bibliografia: ALMEIDA, Guilherme de – Biografia de Arnaldo Louro de Almeida (1926-2008). Pintor neo-realista, professor de Belas Artes, pedagogo, humanista, homem de artes, de saberes multifacetados, pai, irmão e avô. Edição de autor. Lisboa 2023.
Plataforma da rede social Facebook – https://www.facebook.com/arnaldolourodealmeida – 18-07-2026, 21:44H (página “Arnaldo Louro de Almeida”, administrada pela autora Inês C. C. Borges).
Por:
Inês da Conceição do Carmo Borges
Investigadora do GEMA-CEAACP (Grupo de Estudos Multidisciplinares em Arte – Centro de Estudos em Arqueologia, Artes e Ciências do Património | Center for Studies in Archaeology, Arts and Heritage;
Investigadora do CIJVS (Centro de Investigação Joaquim Veríssimo Serrão);






