MILA DORES | Novo disco “BRAVA” já disponível

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novo disco de Mila Dores, “BRAVA“, chegou às lojas e plataformas digitais na passada sexta-feira, dia 15 de Março. Produzido por Filipe Sambado, “BRAVA” foi apresentado na passada sexta-feira e domingo em Lisboa, no Tokyo, e no Porto, no Novo Ático, respectivamente, naquela que foi, diga-se que bastante auspiciosa, a estreia em palco das novas canções.. Em destaque neste lançamento está a canção “Nem Santa, Nem Puta“, um tema marcadamente feminista, subersivo e crítico da sociedade patriarcal.

 

Escrevi estas canções depois de ter queimado um caderno onde tinha rabiscos de acordes, meias frases, palavras, refrões e versos soltos e algumas canções acabadas.
Numa tarde de pandemia num terraço no Porto pus aquilo tudo dentro de uma panela muito usada e deitei-lhe fogo. Salvei uma folha onde tinha escrito: ”Isto de ser mulher, não é quando um homem quer”.

Enquanto o fogo ardia e os cantos das folhas se iam encarquilhando, e à medida que as palavras iam desaparecendo, absorta pelas chamas e um pouco em pânico porque estava a apagar matéria-prima, ia dizendo repetidamente baixinho “deixa arder, deixa arder, deixa arder”.

Deixei nas chamas canções de amor não correspondido, resquícios de histórias sobre situações que me deixaram muito triste e desiludida, frases melódicas e progressões harmónicas que dariam vida a lugares passados que não quero reviver.

Queria escrever sobre o presente.
O que queria eu dizer?
Pensei muito sobre o que significa ser artista, em porque é que eu sou artista e sobre o que quero escrever e cantar neste mundo contemporâneo em que me sinto tantas vezes “desempoderada” socialmente e calada.

Comecei a escrever este texto na folha em que dizia “isto de ser mulher não é quando um homem quer”: nada venero. só rezo quando eu quero e só eu é que decido quem cá canta. Eu é que uso a gravata e eu é que mando em mim e se me dizem mais uma vez como me devo vestir e comportar e com quem vou para a cama e quando eu passo-me.
Estou farta do patriarcado, quero que se lixem as regras dos homens.
Deixa isso tudo arder.

Numa nota de descrição formal da coisa posso dizer-vos que a “Brava” é um disco que casa o lirismo feminista com o Indie pop e com ecos da música tradicional portuguesa e notas de poesia de Abril, mas quero sobretudo dizer-vos que é sobre as minhas histórias dentro de um mundo contemporâneo que eu tenho visto cada vez mais isolado e desesperado por atenção, conexão e Sol.

Chamei-lhe “Brava” porque o dedico a todas as Bravas e Brav@s de hoje e de sempre e porque, poesia à parte, é preciso ser corajosa para editar música independente em tom feminino nos dias que correm.

Mila Dores

 

Aguardado com expectativa, “BRAVA” confirma Mila Dores como uma das vozes da nova geração que tem na música de raiz tradicional uma das suas maiores inspirações. Preconizadora da mescla entre a modernidade e a tradiçãoMila Dores afirma-se como uma letrista atenta à realidade social que a rodeia, apostando na transmissão de mensagens que apelam à afirmação pessoal e dos valores igualitários que exalta.

Em “BRAVA” é possível encontrar as canções que ao longo dos últimos meses tem vindo a revelar: “Não te ponhas a jeito”, “Limão e jasmim”, “Deixa arder” e “Afia a língua“, que concorrreu ao Festival da Canção.

Mila Dores tem na palavra e na música que cria o veículo para o seu statement artístico e social e em que a abordagem musical construída em partilha com a produção de Filipe Sambado, se revê nas evocações à “nova canção portuguesa”, dando-lhe uma nova expressão neste disco.

O álbum “BRAVA” pode ser ouvido em todas as plataformas digitais.

 

 

 

Fonte: o colectivo

 

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