MEXE

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O risco e a reparação, as três primeiras confirmações do MEXE 2021 dialogam com aquilo que está para lá do medo, do bloqueio e do controlo

O que pode o risco, no momento atual, potenciar de construtivo para além da produção do medo, paralisia, bloqueio e controlo?
Hugo Cruz

Num ano desenhado com particular dificuldade, indefinição e intensidade, o MEXE – 6º Encontro Internacional de Arte e Comunidade questiona o risco de desistência do humano e das suas múltiplas possibilidades de ser e estar. Tendo como eixo central da sua programação o tema O Risco, o programa a decorrer no Porto, Viseu e Lisboa entre os dias 18 de setembro e 3 de outubro, aponta o foco para a forma como as práticas artísticas comunitárias podem ser um ponto de partida para a reparação, a restauração de forças e a renovação de vivências.

As histórias e relações entre Miragaia, o Porto e o Rio Douro de Altamira 2042, as trocas culinárias com o gosto de amanhã de Sabor Visceral do Futuro, a auto-proclamação do Centro Cultural das Fontainhas – Laboratório dos Riscos Impossíveis são os três primeiros projetos anunciados para a edição de 2021 do MEXE.

Tendo como ponto de partida o trabalho e performance desenvolvidos no Brasil em torno do Rio Xingu, Altamira 2042 de Gabriela Carneiro da Cunha propõe-se a entrosar os testemunhos de rios que vivem experiências de catástrofe, partindo da perspetiva do próprio rio e das populações que os rodeiam. Para o MEXE 2021, a artista trabalhará com a população de Miragaia num processo de recolha e criação que culminará num momento performativo que aponta a novas ideias sobre a relação da cidade com o Rio Douro.

Sabor Visceral do Futuro, do coletivo BOCA, que reúne uma chefe, duas consultoras e uma designer de experiências, junta sete trabalhadores (produtores, vendedores e cozinheires) e sete moradores de uma periferia do Porto numa oficina de partilha de memórias e troca de experiências, que culminará numa refeição onde se invertem os papéis tradicionais dos participantes, numa tentativa de imaginar a gastronomia do futuro.

O Centro Cultural das Fontainhas – Laboratório dos Riscos Impossíveis é um projeto especulativo, um não-lugar que visa potenciar a apropriação da linguagem sobre o “risco” num contexto de exploração artística em comunidade. A auto-proclamação deste Centro decorre de um movimento cultural espontâneo que surgiu nas Fontaínhas (Porto) em Maio de 2020 e que dura até então. É um movimento de desconfinamento dos corpos, dos espíritos e das liberdades individuais e coletivas num contexto de isolamento e de discurso sobre o medo. Na sexta edição do MEXE, o coletivo convida as artistas Dayana Lucas e Cecília de Fátima, e os músicos catalães Sara Fontán e Edi Pou a estudarem o território e, com os moradores, construírem um concerto de participação comunitária.

A 4ª edição do EIRPAC – Encontro Internacional de Reflexão sobre Práticas Artísticas Comunitárias, já tem candidaturas abertas. O evento que resulta da parceria entre o MEXE e cinco entidades de ensino superior (Universidade de Évora, Universidade do Porto, Instituto Politécnico do Porto, Universidade do Minho, Instituto Politécnico de Lisboa) e representantes de duas universidades brasileiras, terá lugar entre os dias 21 e 24 de setembro 2021. Para participar até 16 de maio, os/as interessados/as deverão submeter a proposta de comunicação, oficina, poster e trabalho artístico, na plataforma digital disponível em www.eirpac.org, onde poderão também consultar o regulamento aplicável. Mais detalhes poderão ser consultados em www.eirpac.org.

 

O MEXE é co-organizado pela PELE – Espaço de Contacto Social e Cultural e a MEXE – Associação Cultural, e co-financiada pela República Portuguesa – Cultura/Direção Geral das Artes. Mais informação em www.mexe.org.pt

 

 

Créditos: Foto © Nereu Jr

Fonte: Mexe

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