Mais de 105 mil pessoas celebraram quatro dias de música, encontros e festa no Sol da Caparica

Costa da Caparica, 17 de agosto de 2026 – A 11.ª edição de O Sol da Caparica recebeu mais de 105 mil pessoas no Parque Urbano da Costa da Caparica, confirmando a dimensão nacional de um festival que continua a juntar diferentes gerações, géneros musicais e geografias num mesmo recinto.

O sábado, 15 de agosto, registou lotação esgotada. Ao longo dos quatro dias, a edição de 2026 apresentou uma distribuição do público mais equilibrada do que no ano anterior e ficou marcada pela energia vivida no recinto.Dos fãs que chegaram cedo para conquistar um lugar junto aos palcos aos grupos de amigos que transformaram o recinto numa pista de dança, foram as vozes, os braços no ar e os refrões cantados por milhares de pessoas que deram forma à experiência do festival.

“Estamos praticamente alinhados com os números do ano passado, mas com uma lotação mais consistente e equilibrada ao longo dos quatro dias. Estamos muito satisfeitos com o resultado e, sobretudo, com as experiências que proporcionámos ao público. O Sol da Caparica termina esta edição mais consolidado e com a sua afirmação reforçada”, salienta a organização.

Quatro dias feitos de canções, surpresas e emoção

A primeira noite deu o mote para tudo o que se seguiria. Depois da abertura de Landrick, Papillon protagonizou um dos primeiros momentos inesperados do festival ao receber Bispo para interpretar Não Dá Pa Parar e Bárbara Tinoco para cantar ¡ N.M.N !. As duas entradas surpresa foram recebidas com entusiasmo por um público maioritariamente jovem, que reconheceu as canções desde os primeiros acordes.

Sara Correia mudou o tom sem quebrar a ligação com o recinto. Entre temas como Chelas, Quero É Viver e Estranha Forma de Vida, a fadista levou a emoção do fado a um festival dominado, naquele primeiro dia, pela música urbana e pelos ritmos de dança. A resposta do público mostrou que, no Sol da Caparica, as fronteiras entre géneros desaparecem quando as canções começam.

Na estreia de Maiara & Maraisa no festival, foram êxitos como Esqueça-me Se For Capaz, Bebaça e Presepada que fizeram milhares de vozes acompanharem a dupla brasileira. A primeira noite terminou com Orochi, num espetáculo marcado pela força do trap, pela animação visual e pela pirotecnia, perante uma nova geração de fãs que cantou e vibrou do início ao fim.

No segundo dia, o palco recebeu diferentes géneros de música em português. Rich & Mendes abriram a programação do Palco Via Verde, seguindo-se João Pedro Pais, que atravessou mais de duas décadas de canções, recuperando temas como Louco, Ninguém É de Ninguém, Nada de Nada e Mentira. Canções que fazem parte da memória de várias gerações encontraram no recinto um coro capaz de lhes devolver toda a força.

Seguiram-se os Calema, com temas como A Nossa Vez, Te Amo, Onde Anda, Chuva de Amor e A Nossa Dança a aproximarem o palco e o público. Mizzy Miles apresentou no festival o seu novo show, uma produção pensada para o grande palco, passando por FDN, Bênção e Europa, antes de Veigh prolongar a noite com um dos concertos mais aguardados pelo público mais jovem.

Com lotação esgotada, o terceiro dia voltou a mostrar a capacidade do festival para cruzar públicos. Os Vizinhos levaram ao palco canções que rapidamente passaram das redes sociais para a voz de milhares de pessoas. Pobre Ex-Namorado, Casar É Para Esquecer, Vizinha e Pôr do Sol transformaram o início da noite num momento coletivo, leve e cantado do princípio ao fim.

Mundo Segundo & Sam The Kid trouxeram a história e a palavra do hip-hop português ao recinto. Temas como Tu Não Sabes, Bate Palmas, Poetas do Karaoke e Linguagem Marginal encontraram um público atento às palavras e pronto para acompanhar cada verso. Nininho Vaz Maia acrescentou emoção e uma identidade musical muito própria, antes de MC Kevinho levar o funk brasileiro ao palco e de Deejay Telio encerrar uma noite de casa cheia.

O último dia voltou a reunir universos e gerações que dificilmente se encontrariam noutro cartaz. Quim Barreiros abriu a programação com uma celebração popular e intergeracional. Seguiram-se os ÁTOA e, depois, MC Paiva, que levou ao palco temas como Fui MLK, Noite Paulista, Doce Veneno e Tchau, Obrigado.

Um dos momentos mais especiais da edição pertenceu a Slow J, que recebeu Prodígio para interpretarem juntos, pela primeira vez num concerto, 4 de Fevereiro. A participação acrescentou um capítulo inédito a um alinhamento que passou ainda por Where U @, TATA, Casa, Bem Zen, num concerto vivido entre a atenção às palavras, a emoção e a força de um público que conhecia cada tema.

O encerramento do Palco Via Verde ficou entregue a Lon3r Johny, que transformou o último concerto da edição numa sucessão de encontros em palco. Ao longo de um alinhamento que passou por temas como Luv, Runner, 94, Tempo e GT3, o artista recebeu Slow J, ProfJam e Plutónio, com quem interpretou UH LA LA LA e 25 DE ABRIL. As três participações deram ao último concerto do festival um caráter único e fecharam os quatro dias em ambiente de celebração.

A festa que continuou para além do palco principal

Embora o Palco Via Verde tenha concentrado os principais concertos, a experiência do Sol da Caparica fez-se em todo o recinto. O Palco Sagres afirmou-se como uma pista de dança permanente, dando espaço ao afro-house, ao funk, à música urbana e à eletrónica.

As atuações de Kiko is Hot, DJ Pablu, Más Influências e Dr. Love foram alguns dos destaques deste palco, com um público que continuou a dançar entre os concertos do palco principal. Sertabeijo, John Goulart, DJ Vodzy, Deejay Rifox, DJ Big, DJ Kikocoxx, DJ Diego Gonzalez, Funk Edition, American House Party, Bad Guys, Memo à Tuga e Zanova completaram uma programação que manteve o recinto em movimento ao longo dos quatro dias.

Também o Palco Jazzy levou a dança para o centro da experiência, com espetáculos inspirados nas sonoridades africanas e brasileiras e na cultura hip-hop. A proximidade entre bailarinos e público transformou cada atuação num convite à participação, reforçando a dimensão do festival enquanto espaço de música, movimento e descoberta.

Uma cidade temporária erguida na Costa da Caparica

Durante quatro dias, O Sol da Caparica funcionou como uma verdadeira cidade temporária. Por detrás dos concertos estiveram cerca de 3.000 profissionais, envolvidos nas diferentes fases de montagem, produção, operação e desmontagem.

A programação da edição começou a ser trabalhada logo após o final do festival anterior e prolongou-se até janeiro. Seguiu-se a fase de produção, antes de a operação no Parque Urbano arrancar a 27 de julho. As desmontagens deverão ficar concluídas até 24 de agosto, completando praticamente um mês de trabalho no terreno.

A infraestrutura necessária para receber dezenas de milhares de pessoas incluiu três palcos, cerca de 150 contentores, as estruturas da área VIP e os espaços de mais de 30 marcas. Toda a operação envolveu aproximadamente 450 fornecedores, cerca de 90% dos quais sediados na Área Metropolitana de Lisboa, refletindo a aposta da organização numa cadeia de fornecimento de proximidade e na dinamização da economia regional.

Mais de 150 mil litros de água potável poupados

Com base nos dados recolhidos até ao momento, estima-se que as medidas de gestão de água implementadas nesta edição tenham permitido poupar mais de 150 mil litros de água potável.

Entre as medidas implementadas estiveram o recurso a água não potável para a estabilização das estruturas, a redução do caudal das torneiras, o reforço do número de sanitários químicos e a reorganização das operações de lavagem associadas às áreas de artistas e staff.

O festival implementou também o sistema Volta, que permitiu ao público entregar as garrafas nos pontos de recolha próprios ou destiná-las a uma associação. A iniciativa reforçou o correto encaminhamento destes materiais e promoveu a sua circularidade.

Impacto económico preliminar superior a cinco milhões de euros

Os estudos preliminares apontam para que o impacto económico da edição de 2026 tenha ultrapassado os cinco milhões de euros. O valor, que será consolidado posteriormente, reflete o efeito do festival na atividade económica da Costa da Caparica, do concelho de Almada e da região envolvente.

O público chegou de todos os pontos de Portugal continental e das ilhas, confirmando a dimensão nacional do festival. Foram também registados visitantes provenientes de países como França, Luxemburgo, Itália e Inglaterra.

A operação decorreu em articulação permanente com a WeMob, a equipa do Parque Urbano e os SMAS. O sistema de videovigilância, o reforço das equipas de segurança e o aumento da presença da GNR integraram a operação preparada para esta edição.

Mais do que os números, foram os coros, a dança e os encontros inesperados que definiram a 11.ª edição. Entre Sara Correia e Orochi, Quim Barreiros e Slow J, Vizinhos e Mundo Segundo & Sam The Kid, O Sol da Caparica voltou a mostrar que a diversidade da música em português continua a encontrar casa junto ao mar.

Fonte: mbdigital.pt

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