Juntos por uma sociedade sustentável

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O envelhecimento populacional é um dado estatístico incontornável em vários países da União Europeia e Portugal não foge a este cenário. De acordo com resultados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) em março do ano passado, entre 2015 e 2080 o número de jovens diminuirá no nosso país de um milhão e meio para 900 mil e o número de idosos passará de 2,1 para 2,8 milhões. Ou seja, em 2080, o índice de envelhecimento mais do que duplicará, passando de 147 para 317 idosos por cada 100 jovens.

Outro dado do mesmo estudo revela que a população em idade ativa diminuirá de 6,7 milhões para 3,8 milhões e o índice de sustentabilidade (quociente entre o número de pessoas com idades entre os 15 e os 64 anos, e o número de pessoas com 65 e mais anos) poderá diminuir de forma acentuada, passando o número de pessoas em idade ativa dos 315 para os 137, por cada 100 idosos.

Já a nível europeu, e segundo o World Population Prospects: the 2017 Revision, o número de pessoas com mais de 60 anos deverá mais que duplicar em 2050 e triplicar em 2100. Este relatório refere que, em termos globais, a população com 60 ou mais anos está a crescer mais rapidamente que todos os grupos etários mais jovens.

Ora, numa primeira análise destes dados, é natural olhar para o futuro com alguma preocupação, dado os desafios sociais que« este cenário acarreta. Contudo, ele também pode – e, acima de tudo, deve – ser encarado como um aspeto positivo, capaz de conferir potencial à sociedade. Não se trata de um desafio de futuro, mas sim de um trabalho que já começou a ser feito, com o objetivo de se encontrarem formas e modelos para integrar as pessoas mais idosas na vida ativa da comunidade. Foi, aliás, para pensar e dar respostas a estas questões que ainda recentemente se realizou em Lisboa uma conferência internacional das Nações Unidas dedicada às questões do envelhecimento. Sob o mote “Uma sociedade sustentável para todas as idades – Realizar o potencial da longevidade”, esta iniciativa resultou de um convite ao Governo português, que, através do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, organizou esta conferência.

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa foi parceira privilegiada deste evento, que juntou no nosso país mais de 400 representantes de cerca de 50 países. Este encontro reuniu, igualmente, 150 Organizações Não-Governamentais e 80 investigadores de todo o mundo. Esta conferência é uma iniciativa da Comissão Económica das Nações Unidas para a Europa (UNECE) e acontece a cada cinco anos, tendo Portugal sido o terceiro país a recebê-la. Destes encontros saem dois documentos de extrema relevância nesta área: o Plano de Ação de Madrid sobre o Envelhecimento (MIPPA) e a Estratégia Regional para a sua implementação (RIS).

A conferência em Portugal encerrou o terceiro ciclo deste Plano e Estratégia e dela nasceu a Declaração Ministerial de Lisboa, com as linhas orientadoras de atuação dos Estados- membro da UNECE para os próximos 5 anos. Esta Declaração sublinha a determinação dos países em alcançar três prioridades até 2022: reconhecer o potencial da pessoa idosa; encorajar o envelhecimento ativo; e garantir um envelhecimento com dignidade. Grupo de Trabalho da UNECE é presidido por um português Quando os Estados-membro da UNECE assinaram a Declaração de Lisboa, assumiram também o compromisso de continuar a participar no Grupo de Trabalho sobre o Envelhecimento. Este Grupo de Trabalho da UNECE foi criado em 2008 e é, desde novembro de 2017, presidido por Edmundo Martinho, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

Contribuir para a implementação dos compromissos assumidos pelos Estados-membro; orientar o trabalho da UNECE no terreno na área do Envelhecimento; promover a cooperação internacional, partilha de experiências e discussão de políticas de Envelhecimento; consciencializar para as consequências do Envelhecimento na região da UNECE; e criar sinergias dentro e fora da Comissão, são os objetivos a que se propõe.

Este grupo intergovernamental reúne-se anualmente no mês de novembro, em Genebra, onde debate os objetivos e desenvolvimentos atingidos durante o ano e prepara a agenda de trabalho do ano seguinte.

Apostar no envelhecimento ativo

Mas não é apenas enquanto presidente do Grupo de Trabalho para o Envelhecimento da UNECE que Edmundo Martinho lida com os objetivos que saíram da Declaração de Lisboa. Diariamente, eles também estão presentes na função que desempenha como provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

Já há muito que esta instituição, que este ano comemora 520 anos, defende que é urgente e imperativo investir-se em respostas e soluções que apostem no envelhecimento ativo, sendo esta uma preocupação visível nas várias unidades que tem sob a sua gestão e nos projetos que tem em curso.

O exemplo mais recente deste empenho é o Programa “Lisboa, Cidade de Todas as Idades”, lançado em fevereiro deste ano. Trata-se de um protocolo estabelecido entre a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e Câmara Municipal de Lisboa, que implica um investimento superior a 100 milhões de euros e que pretende diminuir o isolamento social dos idosos que vivem em Lisboa e que constituem um quarto da população da cidade. Entre as medidas que o integram, está o projeto InterAge, que tem como objetivo requalificar 21 centros de dia da Misericórdia de Lisboa, transformando-os em espaços intergeracionais e abertos à comunidade.

“Numa altura em que, cada vez mais, a problemática do envelhecimento das sociedades se coloca e nos lança novos desafios, confrontando-nos com questões para as quais, por vezes, é difícil encontrar respostas, este é o caminho certo. Assegurar que as nossas comunidades não excluem pela idade, nem fazem da idade um elemento de afastamento do exercício pleno da cidadania”, sublinha Edmundo Martinho.

 

Por. Sofia Patrício
Foto:Santa Casa da Misericórdia de Lisboa

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