Jimena Blázquez Abascal | NMAC

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A colecção de arte contemporânea da Fundação NMAC Montenmedio Arte Contemporáneo é uma referência cultural no Sul da Europa, não só pelas obras site specific realizadas no seu parque
de esculturas mas também pelo extenso programa educativo. Um parque com carácter de museu ao ar livre, uma fundação com forte impacto cultural na região espanhola da Andaluzia, um lugar onde artistas nacionais e internacionais são convidados a intervir na paisagem tendo em conta a geografia e a história da região.

Jimena Blázquez Abascal, directora desta Fundação, viveu em Nova Iorque onde foi curadora do PS1 Moma, e em conjunto com Harald Szeemann curou a exposição “The Real Royal Trip” (Outubro
2003 – Janeiro 2004), uma das maiores exposições de jovens artistas espanhóis a mostrar o seu trabalho nos EEUU. Doutorada em arte contemporânea e espaço público, Jimena Blázquez já curou mais de 40 site specifics, publicou em 2006 a primeira edição de “Sculpture Parks in Europe: A Guide to Art and Nature”, um
livro que analisa a relação entre a arte e a apresentando cerca de oitenta parques de esculturas diferentes na Europa.

A Fundação NMAC é criada em 2001
pela sua família, como surge este Parque de Esculturas ao ar livre?

Qual a sua principal missão? E qual é a relação com a paisagem e a natureza?

JBA: A minha família tinha esta propriedade no município de Vejer de la Frontera, uma extensão das espécies autóctones do Parque
Natural de Breñas y Marismas de Barbate. Depois da minha formação como historiadora de arte em diferentes países e de ter conhecido, devido ao meu percurso profissional, diferentes iniciativas culturais na Europa, como a Fundação Wanas na Suécia, decidimos dar início a um projecto de “Parque de esculturas” com o principal objectivo de promover a arte contemporânea no Sul da Europa. 
Nesse sentido, convidámos artistas a criar projectos site specifc onde a arte e a natureza coexistissem em perfeita harmonia. A nossa missão é difundir a cultura contemporânea através de projectos de artistas consagrados, bem como apoiar a carreira de artistas emergentes, convidando-os a fazer parte de uma
colecção única.

Como directora e curadora deste projecto, vemos pela escolha de artistas o carácter internacional da colecção, como foi construído esta constelação de artistas que compõem a colecção NMAC?

Como foi seleccionado cada projecto site specific?

Durante algum tempo tive a oportunidade de trabalhar como curadora do PS1 em Nova Iorque e lá conheci artistas como Marina
Abramovic, Sol Lewitt, Roxy Paine, Richard Nonas…, alguns desses artistas foram convidados a conhecer o espaço que iríamos criar
na província de Cádiz. A escolha desses projectos foi feita com o apoio de um comité de especialistas que nos aconselhou de acordo
com os objectivos estabelecidos pela Fundação, queríamos ter artistas consagrados e artistas emergentes que soubessem materializar o nosso sonho de criar uma colecção que tivesse em conta as idiossincrasias do lugar, na sua relação com o espaço  natural e geográfico.

Os projectos temporários fazem parte da programação do NMAC, como surgem esses trabalhos? Como por exemplo o da artista portuguesa Joana Vasconcelos?

Os projectos que os artistas nos apresentam depois de conhecerem o local, podem ter um carácter efémero, seja pelo material com o
qual vão ser criados, por decisão do artista ou porque a Fundação NMAC crê que essa peça não irá fazer parte da colecção permanente no futuro. Actualmente não existe um programa específico de projectos temporários, como mencionei, é um acordo entre as
duas partes. Em 2003 trabalhámos com a artista Joana Vasconcelos no seu projecto “Ópio”, um projecto de grandes dimensões e com uma grande carga simbólica associada ao golfe e ao futebol, dois desportos que, por si só, estabelecem um interessante modelo de contradições sociais e culturais. Em 2004 foi levado para Portugal para ser parte das acções levadas a cabo por ocasião da XII edição do Campeonato Europeu de Futebol.

O vosso programa educativo e cultural tem um forte carácter local, qual é o impacto de uma fundação no panorama cultural de Cádiz?

Actualmente, o programa educativo e cultural que foi criado em paralelo à colecção da Fundação NMAC, tem um grande peso na
actividade cultural, não só da província de Cádiz mas também da Andaluzia em geral. Visitas guiadas, oficinas, material educativo e
um programa cultural dirigido a todos os tipos de público (teatro, concertos, oficinas… etc.) fazem da nossa programação, tornando-se
muito solicitada por quem nos visita todos os anos.  
O apoio de instituições públicas, tanto na produção destes programas educativos e culturais, quanto o para o projecto do parque em si ao longo destes 17 anos, faz com que a Fundação NMAC, apesar de longe dos circuitos habituais da arte contemporânea em Espanha, tenha um papel cada vez com mais destaque na oferta cultural espanhola.

Que artistas poderemos ver, no futuro, com obras produzidas especificamente para a Fundação NMAC Montenmedio Arte Contemporáneo?


Vários artistas têm visitado o nosso espaço e estão neste momento a trabalhar para apresentar futuros projectos. Actualmente, estamos a apostar em artistas emergentes latino-americanos e andaluzes. Os últimos que nos visitaram são Mateo López, Teresa
Margolles, Ximena Garrido e Jacobo Castellanos entre outros.

Por: Veronica Mello

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