IndieLisboa 2023 20.ª edição

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IndieLisboa – Festival Internacional de Cinema comemora 20 anos. O evento apresenta obras que por norma estão fora do circuito comercial. Estreias mundiais e nacionais, filmes de autores de renome e emergentes, concertos, conversas, sessões especiais e um programa dedicado a crianças e jovens – IndieJúnior – preenchem os 11 dias do festival.

Da programação destaca-se uma retrospetiva, na Cinemateca Portuguesa, dedicada à obra de Jan Švankmajer. Uma homenagem ao mestre surrealista da animação, em stop motion com marionetas. Švankmajer nasceu em Praga, em 1934. No final dos anos de 1950, começa a trabalhar em cinema e com várias companhias teatrais. Uma década depois, realiza as primeiras curtas-metragens em nome próprio. A sua obra, pouco conhecida entre nós, oscila entre o humor negro e o grotesco, conciliando animação e imagem real. As narrativas recorrem a personagens como Fausto ou Alice e a autores como Edgar Allan Poe ou o Marquês de Sade.

Na secção dedicada a filmes sobre o cinema (obras recuperadas ou filmes novos que se inspiram na memória da sétima arte), Director’s Cut, destacam-se três longas-metragens: A Rainha Diaba, versão restaurada do filme de António Carlos da Fontoura (1974), centrado numa personagem queer que controla uma rede de narcotráfico; Ragtag, de Giuseppe Boccassini, uma colagem cronológica baseada em 310 filmes noir americanos, entre o início da década de 1940 até ao final dos anos 50; e Jeune Cinema, de Yves-Marie Mahé, um documentário de arquivo sobre um festival de cinema esquecido que acontecia em Hyères, entre 1965 e 1983. São ainda exibidas cinco curtas-metragens, entre elas, As Pioneiras do Cinema em Língua Portuguesa, da realizadora Luísa Sequeira.

O encontro entre a música e o cinema acontece na secção IndieMusic que propõe um programa sem fronteiras, onde são dados a conhecer artistas e sonoridades de diversos países. Destaque para os documentários Na Sombra – Parte 2, em estreia mundial, e Na Sombra – Parte 1, ambos de Joana X, que acompanham a preparação do mais recente álbum da banda portuguesa, Clã. Do Brasil e do Mali chegam dois filmes que prestam homenagem à bossa nova e às big bands históricas do Mali, respetivamente. De salientar ainda um miniciclo dedicado ao hip-hop.

Já na secção Boca do Inferno, onde se quebram tabus e programam os filmes mais desconcertantes do Indie, o grande destaque é Pearl, o mais recente filme de Ti West. O cineasta, que tem vindo a ganhar notoriedade no cinema de terror, realiza, escreve, monta e produz uma obra que usa a violência para questionar as consequências do isolamento, da repressão e do condicionamento familiar. Pearl, protagonizada por Mia Goth, vive isolada com a família numa propriedade no Texas. A jovem mulher sonha em ser uma estrela de cinema, mas é obrigada pela mãe a tomar conta do pai doente, o que terá consequências devastadoras.

Dos muitos filmes a exibir destacamos cinco:

Mal Viver / Viver Mal, de João Canijo

O díptico de João Canijo é exibido em estreia nacional no IndieLisboa. Os dois filmes estiveram em competição no Festival de Berlim, onde Mal Viver ganhou o Urso de Prata, Prémio do Júri. Filmado num hotel do norte do país Mal Viver conta a história de uma família de várias mulheres, de diferentes gerações, dilaceradas pelo ressentimento, que são abaladas pela chegada inesperada de uma neta. Em paralelo, Viver Mal segue três grupos de hóspedes do hotel que são o espelho, o negativo, do primeiro filme.

Rodeo, de Lola Quivoron

Primeira longa-metragem da jovem cineasta francesa Lola Quivoron. O filme recebeu no Festival de Cannes, em 2022, o prémio do Júri Coup de Coeur. A história, interpretada essencialmente por atores não profissionais, centra-se em Julia, uma rapariga irreverente que adora andar de mota e que se infiltra num grupo de motards, dominado por homens que desafiam a velocidade e fazem acrobacias. Julia é levada ao limite para provar o seu valor dentro deste mundo masculino de motociclistas.

In Water, de Hong Sang-soo

O mais recente trabalho do realizador sul coreano, Hong Sang-soo, é uma obra poética e íntima, onde cada imagem se assemelha a uma pintura impressionista. A narrativa desenrola-se numa ilha onde o realizador, um jovem ator que desistiu da profissão, decide filmar uma curta-metragem. Uma conversa com um desconhecido que se encontra nesta ilha rochosa e uma canção de amor escrita anos antes servem, finalmente, de inspiração para a história que quer contar.

Here, de Bas Devos

A obra do cineasta belga, Bas Devos, venceu na Berlinale 2023 o prémio de Melhor Filme na secção Encounters. A história tem como pano de fundo a cidade de Bruxelas e relata o encontro entre duas pessoas comuns com origens e mundos diferentes. Stefan, um trabalhador de construção romeno que está prestes a partir, conhece uma jovem belga-chinesa que prepara um doutoramento em musgo. A atenção dela para o quase-invisível faz com que ele fique.

Programação integral aqui

[texto: Ana Figueiredo\Agenda Cultural de Lisboa]

cinema
27 abril a 7 maio 2023
vários locais
Fotografia: “Mal Viver” de João Canijo
Fonte: AgendaLx

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