A 27.ª edição do Festival Internacional SeixalJazz regressa ao concelho do Seixal de 8 a 17 de outubro, refletindo um trabalho consolidado ao longo de 30 anos e apresentando uma programação que celebra os rumos do jazz atual – um jazz que, apesar de conhecedor da tradição, é diversificado, inventivo e permeável a novas linguagens e explorações sonoras.
Na edição deste ano, é celebrada a tradição do jazz e os caminhos por ela abertos à inovação e conceptualização, enquanto música que, para lá de si mesma, se abre a outras expressões culturais, reflete influências que lhe são externas e pensa o mundo.
Destas tendências são claros exemplos os músicos americanos desta edição, no Auditório Municipal do Fórum Cultural do Seixal. O supergupo Fire & Water, liderado pela pianista Myra Melford, profundamente inspirado na obra do artista visual Cy Twombly. O compromisso com a história afroamericana e com a arte gráfica de Jean Michel Basquiat, de Jason Moran. E a abordagem dos temas da liberdade e do legado dos ancestrais na exploração de diversos estilos da música negra americana presente na arte de Christie Dashiell.
Do mesmo modo, a londrina Camilla George apresenta um estilo musical que é uma mistura hipnotizante de afrofuturismo, hip hop e jazz, com uma forte dimensão cultural e política relacionada com a sua identidade, linhagem e herança nigerianas. O trio de Luís Vicente convida dois músicos do outro lado do Atlântico para desafiar fronteiras entre estrutura e liberdade, lirismo e abstração. E Hugo Carvalhais apresenta a súmula de uma pentalogia discográfica que se debruça sobre temas conceptuais e recebe inspirações em diferentes estilos musicais, assim como influências cinematográficas e literárias.
De igual modo, o SeixalJazz Clube, com o seu ambiente informal e uma programação gratuita que privilegia a apresentação de grupos nacionais de jazz e música improvisada, colocando ênfase em projetos emergentes, tem também a mesma marca de um jazz que não está fechado sobre si próprio.
Esta evidência está nos diálogos estabelecidos com as obras literárias de Haruki Murakami, no caso da atuação de João Próspero, e de Vírginia Wolf, como acontece no concerto que nos traz Filipa Franco, mas também com o livro bíblico de Eclesiastes, o desafio assumido por Ricardo Coelho.
Com Narcolepsus, cinco jovens músicos de Lisboa, Copenhaga e Amesterdão, exploram a estética alemã e pós-tonal do dodecafonismo, corrente musical do século XX que não se esgota, nem nasce no jazz. Já Bruno Ponte assume influências que bebem no jazz, mas também na música tradicional madeirense, no blues e no metal, para construir uma narrativa que é também uma metáfora para a própria evolução artística do jovem músico. E, por fim, Joana Raquel deixa-se inspirar pela música tradicional portuguesa e apresenta um projeto que tem tanto de musical como de poético e que assume uma importante componente visual. ´
Vinte sete edições, trinta anos de percurso – a acompanhar o melhor que o jazz dentro e fora de fronteiras tem para oferecer – dão a maturidade, a confiança e o saber para um programa que aceita e reconhece as sementes que os músicos contemporâneos de jazz recolhem de diferentes influências, expressões e experiências artísticas, mas também das perceções e leituras do mundo em que vivem. Será uma oportunidade para o público celebrar a semente, a sementeira e a diversidade dos seus frutos.
Com este programa, a Câmara Municipal do Seixal, que organiza o festival, saúda e afirma a crença e respeito por uma tradição que persiste, porque também inova. O festival, enfim, permanece, porque é sempre o mesmo, e sempre o mesmo, porque se renova. E o jazz, de algum modo, sempre o mesmo e sempre novo. Porque o festival, como o jazz, no mundo, e aqui à beira Tejo, é sempre outra coisa.
O programa completo pode ser consultado em cm.seixal.pt.
Fonte: cm-seixal.pt


