Diários de Arte Urbana online

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GAU desafia artistas a partilhar processos criativos

A pandemia parece não dar tréguas e o lugar mais seguro para estar é, definitivamente, a nossa casa. Mas em casa, sem as ruas de Lisboa para intervir, como criam os artistas urbanos?

A Galeria de Arte Urbana (GAU), através do projeto #DiariosdeArteUrbana, desafiou alguns artistas a partilhar os processos criativos e as obras que desenvolveram desde o mês de março, durante o período de isolamento social.

Desta forma, os seus trabalhos continuam à vista de todos, só que, ao invés de se poderem ver e apreciar em muros e locais de intervenção artística de Lisboa, podem ser vistos no website da GAU e nas suas páginas oficiais de Facebook e Instagram. Para provar que a expressão artística não tem limites, a Agenda Cultural de Lisboa falou com cinco artistas que contam, na primeira pessoa, como foi trabalhar em casa para quem, normalmente, trabalha na rua e numa outra escala.

Vitó Julião

www.vitojuliao.com
Vitó Julião

Trabalhar em casa neste período não foi algo muito estranho para mim, já que dedico algum tempo a elaborar projectos no meu estúdio. No entanto, permitiu que dedicasse mais tempo a projetos pessoais, a reinventar-me e a dar um pouco do meu trabalho à comunidade. Durante este período disponibilizei, de forma gratuita, um livro para colorir destinado a manter ocupados adultos e crianças, e criei um Paper Toy, também gratuito, a convite do Instituto Português do Desporto e Juventude. Além disso, fiz ainda diversos Art Prints, que tenho disponibilizado na minha loja online, para fazer face à redução de trabalhos comissionados.

Telmo Alcobia

www.telmoalcobia.com
Telmo Alcobia – how I learned to stop worrying and started to love Mindless Self Indulgence

Faço parte de um grupo, o POGO, que teve de cancelar o trabalho em conjunto, bem como a exposição que estava a planear. Assim, e uma vez que a arte, na minha conceção, fala da vida real, o meu isolamento passou por observar como as pessoas reagiam a estes factos e emoções, interpretações, extrapolações e conspirações. Reduzi as despesas ao mínimo e concentrei-me no que podia controlar. Desenhei como possível, na minha casa minúscula, desenhei para materializar essas ideias, como um diário transformativo de tudo isso, dando origem a uma série de trabalhos intitulada Desenhos de Quarentena, baseados em álbuns e músicas que me acompanharam durante esta temporada.

Tamara Alves

www.tamaraalves.com
Tamara Alves – We are still here
Durante este período participei em diversos projetos, mas o Daydreaming e o Underdogs Projecta parecem-me ser dois bons exemplos daquilo que é um artista utilizar o que tem disponível para trabalhar ou reinventar-se na apresentação de uma intervenção de rua. Daydreaming é uma aguarela para a exposição colectiva online Right Now, da Galeria Underdogs, onde foi pedido para trabalharmos com o que tínhamos disponível. Eu reaproveitei papel. No Underdogs Projecta, foram projetadas várias criações de vários artistas pelo mundo no dia 25 de abril. O tema foi o 25 de Abril, tendo em conta a reflexão sobre conceito de liberdade que a situação presente suscita.

Ozearv

www.instagram.com/ozearv
Ozearv
E de repente tudo mudou, a facilidade com que a rua se dava às minhas pinturas, trancou-se em casa e fui projetado para o meu estúdio, transformado em ilha solitária. Distante de tudo o resto, a versão das imagens que pinto, são parte ansiedade, parte repouso, o sentimento agridoce com que sinto o exterior que passou a ser propriedade Covid. Não sei bem o que vejo e como vejo, é demasiada informação desfocada em linhas que não consigo seguir… Repouso nesta mão de borracha que me distancia de tudo o resto. Observo o presente e só vejo pela janela da minha casa, lá fora, o vírus a fazer jogging… Os sentimentos da última quarentena, bem como os presentes, ainda são demasiado surreais.

UtOPiA

www.utopia-arts.com
UtOPiA

Na quarentena nada mudou a minha rotina profissional, já que faço muito trabalho em estúdio para diversos colecionadores no mundo.Na verdade, neste período tive muito mais encomendas. Apercebi-me de que as pessoas, como não podiam sair de casa, sentiam necessidade de obter trabalho de arte como investimento e por gosto. Aliás, tive imensos pedidos aos quais não pude atender. Ou seja, acabei por pintar duas vezes mais que o normal, enviando mais de 50 telas para diferentes países da Europa e do resto do mundo. Além disso, todos os envios foram seguros e rápidos.

 

Por Ana Rita Vaz

créditos: Tamara Alves – Daydreaming

Fonte Agendalx

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