CONQUISTAS DA CONFERÊNCIA DA OMS EM LISBOA NA PALAVRA DE ALEXANDRE KALACHE

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Conferência Regional da Organização Mundial da Saúde – OMS, reuniu em Lisboa, nos dias 10 e 11 de Outubro de 2023, líderes governamentais, especialistas e representantes da sociedade civil para discutir políticas de envelhecimento saudável na Região Europeia.

Os tópicos abordados incluíram a criação de ambientes saudáveis para pessoas idosas, cuidados de longa duração, atividade física, alimentação saudável, mão de obra na área da saúde e outros aspectos relacionados ao envelhecimento.

Conquistas de alta relevância resultaram na Declaração de Resultados de Lisboa aprovada como um documento técnico para promover o envelhecimento saudável na região. Isso culminou em uma cerimônia de assinatura, que marcou o encerramento do evento.

ENTREVISTA EXCLUSIVA COM ALEXANDRE KALACHE

Para aprofundar essa discussão e obter insights valiosos sobre o envelhecimento saudável, realizamos uma entrevista exclusiva com o renomado professor Alexandre Kalache, que oferece o histórico e a sua perspectiva sobre os desafios e oportunidades relacionados a esse tema crucial. Leia a seguir a íntegra da entrevista e assista o vídeo.

Silvia Triboni – Doutor Kalache, por favor o senhor poderia falar a respeito deste importante evento da Organização Mundial da Saúde e sobre os seus resultados?

Professor Alexandre Kalache: “Com certeza, para mim é quase um sonho que 16 anos atrás, eu ainda diretor do Programa de Envelhecimento e Saúde da OMS, concebi, tive esse privilégio, esse programa que eu sabia que ia dar certo: o das Cidades e Comunidades Amigas das Pessoas Idosas, por uma razão muito simples estava muito claro que este século XXI seria caracterizado por dois grandes movimentos democráticos: por um lado, claro, o envelhecimento, mais e mais, por outro lado a urbanização, ou seja: cada vez mais pessoas envelhecendo em cidades que não me pareciam e ainda nem estão preparadas para este envelhecimento.

Foi colocando essas tendências demográficas juntas que nós lançamos. De uma forma tímida, de uma forma intuitiva. Vamos perguntar pras pessoas como é viver em Copacabana, em Tókio, no Japão, Buenos Aires, em Genebra. Vamos fazer estudos qualitativos, vamos dar voz, protagonismo às pessoas idosas.

Eu sabia que ia dar certo. Só que eu não sabia que ia dar certo tão rápido porque hoje nós temos milhares, milhares de cidades e comunidades de todos os tamanhos. Estamos vendo nesta conferência.

Nós ouvimos aqui nessa conferência da Organização Mundial da Saúde, junto ao governo de Portugal, com delegações de 52 países e em todas elas são dezenas, centenas, milhares de iniciativas que tem a mesma base naquela sementinha que foi criada em 2005, quando eu falei pela primeira vez em cidade amiga do idoso no Congresso Internacional de Gerontologia e Geriatria. Passamos 2 anos fazendo o estudo que chegou 2 anos depois, exatamente em outubro de 2007, ou seja, 16 anos o guia da cidade amiga do idoso em que nós concebemos um protocolo, uma metodologia.

Não é apenas saber se a calçada está boa ou se boa se a rua está adequada. É muito mais do que isso. É cidadania! É participação! É acesso a serviços! É o direito de educar! É o direito de aprender! É o direito de trabalhar! É o direito de ter descanso! Tudo isso é que faz com que esse encontro for nessa cidade onde as pessoas vão envelhecer, essa cidade seja realmente amiga di idoso. E, mais uma coisa, porque se for uma cidade amiga minha porque eu coloquei os meus óculos, as minhas lentes para examinar se essa cidade é mesmo amiga do idoso, ela vai ser mais amiga de uma pessoa que tem um machucado no joelho, que tem uma incapacidade, de uma mulher que esteja grávida, de um jovem com uma mochila nas costas, que vai dar oportunidade de participação integral ao longo do curso de vida.

Mas a grande barreira é o idadismo: o grande último. Nós sabemos disso porque já passamos décadas falando de sexismo, de racismo até de lgbtismo, mas a idade é universal ela atinge o homem, a mulher, o rico, o pobre, o CEO da empresa mais poderosa ou o político mais influente.

Se não se você espera que a idade pode te pegar de surpresa e você que era tão poderosa e poderosa de repente passar de repente vão te dar um silêncio, de repente vão te rejeitar, é isso que nós estamos combatendo: a discriminação mais universal e por isso perversamente a mais democrática.”

Muito obrigada, Doutor Kalache!

Assista aqui o VÍDEO DA ENTREVISTA COM O PROFESSOR ALEXANDRE KALACHE

 

Artigo e Fotografia: Silvia Triboni

Advogada, Repórter e Palestrante na área do Empreendedorismo 50+, Diversidade e Inclusão

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