COMO SERÁ O FUTURO?

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O futuro encarado no âmbito da sociedade humana, muitíssimo curto relativamente à imensidade de tempo que o nosso planeta tem ainda à sua frente, é tema para biólogos e futurologistas, estes apoiados em disciplinas das ciências humanas como a economia, a sociologia, a demografia, e outras. Trata-se aqui de um futuro a quantificar seguramente em décadas, talvez em séculos, porventura em milénios.

Para o geólogo, o futuro mede-se em milhões de anos com um horizonte da ordem dos cinco a seis mil milhões. Mas, mesmo a esta outra escala, com base no passado da Terra e nos assinaláveis progressos dos conhecimentos geológicos, os investigadores neste domínio do conhecimento têm vindo a projectar, com aceitável segurança, importantes modificações na distribuição das terras e dos mares.

Partindo dos conhecimentos inovados na Teoria da Tectónica de Placas, os movimentos litosféricos divergentes (muitíssimo lentos, na ordem de escassos centímetros por ano) actuando sobre um bloco continental, promovem a abertura de uma bacia oceânica que alastra milhares de quilómetros, ao longo de centenas de milhões de anos. Foi o que aconteceu com a abertura do Oceano Atlântico, há uns 250 milhões de anos, com a do Mar Vermelho (um embrião de oceano), há cerca de 30, e está a acontecer, no presente, com o Vale do Rift, no leste africano.

A enorme fenda, com vários quilómetros de extensão, que rasga este Vale, no sudeste do Quénia é, talvez, a expressão mais convincente da existência, num futuro estimado para daqui a meia dúzia de milhões de anos, de um novo continente, ainda sem nome, correspondente à região formada pela Somália, metade da Etiópia, o Quénia, a Tanzânia e parte de Moçambique.

Quando estes lentíssimos movimentos se invertem, isto é, passam a convergentes, tem lugar o fecho da bacia oceânica anteriormente aberta pelos ditos movimentos divergentes. Com base nesta inversão de movimentos que a geologia mostrou que se sucedem, o geólogo canadiano John Tuzo Wilson (1908-1993), concebeu a ideia de ciclo, conhecido entre pares por Ciclo de Wilson.

Em 2013, os geólogos portugueses João Duarte, António Ribeiro, Filipe Rosas, Pedro Terrinha e o francês Marc-Andrés Gutcher puseram em evidência os primeiros indícios de transformação na margem ibérica (uma margem passiva, do tipo atlântico) numa margem activa, do tipo pacífico. Tal parece significar, na opinião dos autores que, daqui a uns 200 milhões de anos, o Oceano Atlântico poderá vir a desaparecer e que as massas continentais da Eurásia e da Laurência se voltarão a juntar num novo supercontinente.

É curioso assinalar que em 1979, no 1.º Encontro de Geociências, reunido em Lisboa, António Ribeiro, surpreendeu os presentes ao apresentar a comunicação a que deu o nome de “Geopoema”. Numa antevisão notável, este geólogo que, já então, se distinguia entre os seus pares pela excelência dos seus  trabalhos, anunciava que o Atlântico iria começar a fechar e que, daqui a uns milhões de anos, engoliríamos os Açores e, que, passados mais um ror deles, a Eurásia colidiria com a América do Norte, imaginando, em jeito de fazer humor, a estátua do Marquês do Pombal a abraçar a novaiorquina estátua da Liberdade.

Anos mais tarde, na década de 80, a teoria do Ciclo dos Supercontinentes proposta pelos geólogos americanos Damian Nance e Tom Worsley reza que, em vários momentos da história da Terra, os continentes se juntaram para formar um corpo único, ou supercontinente, que depois se fendia, gerando novos continentes e novos oceanos, num processo cíclico, de 400 a 500 milhões de anos.

A esta concepção, podemos associar o conhecimento algo fundamentado sobre a existência dos antigos supercontinentes, conhecidos por, do mais moderno para o mais antigo: Pangea, Panótia, Rodínia e Colúmbia.

Mais recentemente, os atrás citados João Duarte e Filipe Rosas e o australiano Wouter Schellart propuseram a formação, dentro de 300 milhões de anos, de um novo supercontinente, em resultado do fecho simultâneo dos oceanos Atlântico e Pacífico, a que deram o nome Aurica (acrónimo de Austrália e América). Assim designado porque o respectivo núcleo é formado pela junção dos ditos continentes.

Para estes investigadores, uma outra previsão, num futuro estimado em cerca de 20 milhões de anos, é a fracturação da Eurásia, o que, segundo eles, irá promover o fecho dos oceanos Atlântico e Pacífico.

 

Por: Professor Galopim de Carvalho

 

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