Com autoria de Cláudia Emanuel, Inês Borges e Luiz Sá, esta edição em dois volumes representa um contributo para a valorização da figura de Branca de Gonta Colaço (Lisboa 8 de julho de 1880 – Lisboa 22 de março de 1945), escritora, poetisa, dramaturga, tradutora e intelectual que soube afirmar uma voz própria no panorama literário e cultural do seu tempo.
O centro da publicação é o Auto dos Faroleiros, obra dramática publicada originalmente em 1921 e levada à cena, em 1922, no Teatro Nacional Almeida Garrett, atual Teatro Nacional D. Maria II. Trata-se de uma peça de grande ambição poética e cénica, marcada por uma linguagem simbólica, por uma dimensão espiritual e por uma forte relação entre palavra, imagem, música e representação teatral. A recuperação desta obra permite devolver ao público contemporâneo um texto quase esquecido, mas fundamental para compreender a dramaturgia de Branca de Gonta Colaço e o lugar das mulheres escritoras na cultura portuguesa do início do século XX.
A edição reúne estudos, testemunhos, documentos e materiais relacionados com a autora e com esta peça, incluindo a reprodução fac-similada do texto original, elementos sobre a encenação, cenografia, guarda-roupa e a recuperação da pauta musical de cena, composta pelo Maestro Hermínio do Nascimento.
Editada pela Câmara Municipal de Tondela em 2025, no âmbito das comemorações dos 145 anos do nascimento e dos 80 anos do falecimento de Branca de Gonta Colaço, a obra pretende devolver visibilidade a uma autora que se afirmou como poetisa, dramaturga, conferencista, tradutora e intelectual, num tempo em que a presença feminina no espaço literário e cultural exigia uma voz própria e determinada.
Hoje, este farol volta a acender-se. Que a sua luz nos continue a inspirar.
Fonte:
Inês C. Carmo Borges
Investigadora do GEMA-CEAACP (Grupo de Estudos Multidisciplinares em Arte – Centro de Estudos em Arqueologia, Artes e Ciências do Património | Center for Studies in Archaeology, Arts and Heritage;
Investigadora do CIJVS (Centro de Investigação Joaquim Veríssimo Serrão);
Investigadora da APHVIN/GEHVID – Associação Portuguesa de História da Vinha e do Vinho.


