Amália Rodrigues

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Amália da Piedade Rodrigues nasceu em Lisboa, na Rua Martim Vaz, na casa dos avós, em julho de 1920. Dizia a avó que nascera no tempo das cerejas, mas o dia certo ninguém recordava. 23 de julho foi a data anotada no registo civil. Foi com os avós que viveu até aos 14 anos, tendo frequentado a escola, mas apenas o ensino primário.

Aprendeu o ofício de bordadeira, foi operária fabril, vendeu fruta e can- tou desde sempre. Cedo se percebeu que o seu timbre de voz tinha qualquer coisa de especial. O avô pedia-lhe para cantar e, de dentro de casa, Amália, que tinha memorizado os tangos de Carlos Gardel, fazia parar as pessoas na rua.

Foi solista na marcha de Alcântara em 1936, e a partir daí nunca mais parou. Começou a atuar no Retiro da Severa, uma casa de fados de grande prestígio e depois em outras, destacando-se no Café Luso. A carreira internacional veio de seguida: Brasil, Estados Unidos, Europa, África e Ásia. A par do fado, Amália participou em filmes, em peças de teatro, de revista e também escreveu versos, divulgou autores e poetas e tinha uma preferência por Luís Vaz de Camões.

Faleceu em Lisboa, na sua casa situada na Rua de São Bento, na madrugada do dia 6 de outubro de 1999.

Amália Rodrigues correu o mundo com a sua voz única. Internacionalizou o fado e contribuiu como ninguém para definir um “sentir português”. Mas Amália era de Lisboa de corpo e alma. Aqui nasceu, viveu e morreu. Na cidade deixou uma marca indelével, nos sítios onde cantou, nos locais que frequentou e naqueles onde foi homenageada. Podemos seguir muitos percursos e caminhos na cidade de Amália. Este, que começa no Largo Trindade Coelho, é apenas um deles.

1 – Café Luso (Travessa da Queimada no 10)

O Café Luso abriu portas em 1927, inicialmente na Avenida da Liberdade e, a partir de 1939, na Tra- vessa da Queimada, no Bairro Alto. Amália Rodrigues era uma das artistas residentes e, em 1955, aqui gravou o disco “Amália no Café Luso”, a sua mais antiga gravação ao vivo, acompanhada por Domingos Camarinha na guitarra e Santos Moreira na viola.

2 – Adega Machado (Rua do Norte no 91)

Após atuar no Café Luso, Amália acabava frequentemente a noite a jantar petiscos na Adega Macha- do, uma típica casa de fados pertencente aos seus amigos Maria de Lurdes e Armando Machado. Aqui sentia-se em família e cantava muitas vezes por lazer. Certa vez, o entusiasmo levou-a à rua enca- beçando a marcha da Adega Machado e atrás dela foram os convivas. Confundidos com um ajunta- mento, foram barrados na rua pela polícia do Bairro Alto. Na fachada da Adega Machado destaca-se o trabalho do artista Thomaz de Mello, mais conhecido por Tom. Trata-se de um painel de azulejos dedicado ao folclore português, ao fado, à guitarra e à cidade de Lisboa.

3 – Teatro da Trindade (Rua Nova da Trindade no 9)

Em Lisboa foi no Teatro da Trindade que estreou o filme “Fado – História de uma Cantadeira”, de Perdigão Queiroga, que tinha Amália como protagonista, ao lado de Virgílio Teixeira. É a história de uma cantadeira Ana Maria que ganha grande notoriedade sem nunca esquecer as suas raízes. Graças a esta interpretação, Amália Rodrigues recebeu o prémio SNI para melhor atriz em 1948. Já anterior- mente no filme “Capas Negras”, de 1947, que esteve em cartaz 22 meses no Teatro Condes, o êxito da película revelava o talento de Amália para o cinema.

4 – Rua do Carmo / Rua Nova do Almada

No no 97 da Rua Nova do Almada ficavam os antigos Estabelecimentos Valentim de Carvalho, edifício que ficou totalmente destruído no grande incêndio do Chiado em 25 agosto de 1988. Nos estúdios da Valentim de Carvalho Amália gravou a maior parte dos seus discos. Foi grande a amizade da fadista com Tim, diminutivo de Rui Valentim de Carvalho, que desde jovem nutria a maior admiração e fascínio por ela.

5 – Discoteca Amália (Rua do Ouro no 272)

A discoteca fundada por Manuel Simões em 1992 é uma referência na divulgação do fado ao mesmo tempo que presta homenagem a Amália Rodrigues. Manuel Simões, que foi proprietário da famosa Discoteca do Carmo, era empresário e também editor discográfico. Criou uma fundação em 2001 que tem como objetivo apoiar artistas e premiar novas vozes do fado. Atualmente é esta fundação que gere a discoteca Amália e a carrinha que está estacionada na Rua do Carmo. A montra da Discoteca Amália é um altar dedicado à fadista. Para além do repertório discográfico disponível, reproduz em miniatura os vestidos que Amália popularizou em palco e a sua paixão pelas flores.

6 – Rossio / Largo São Domingos

Amália foi convidada por Amélia Rey Colaço para atuar no Teatro Nacional D. Maria II e encarnar a mítica Severa de Júlio Dantas. Talvez pela grande responsabilidade de se ver a representar naquele palco recusou delicadamente o convite. Mas quem não desistiu foi o empresário Vasco Morgado que a conseguiu convencer. A peça viria a estrear a 8 de março de 1955, mas no Teatro Monumental. Júlio Dantas, autor do drama, terá dito que tinha sido a melhor representação da Severa a que assistira.

7 – Martim Moniz / Antigo Teatro Apolo

No final da Rua da Palma, já a entrar para a atual Praça Martim Moniz, existia o Teatro Apolo, demolido em 1957. Neste teatro, em 1943, ao lado da dupla Mirita Casimiro e Vasco Santana, Amália integra o elenco da revista “Alerta Está”. A sua estreia no teatro de revista aconteceu em 1940 no Teatro Maria Vitória, sendo a atração do espetáculo “Ora Vai Tu!”. Depois disso somou muitos êxitos nos palcos, ini- ciando em 1942 uma profícua relação artística com o maestro Frederico Valério. É dele a composição de “Fado Ciúme”, um sucesso que correu Portugal, cantado por Amália na revista “Rosa Cantadeira”

Por: Mónica Queiroz

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