A Filmin estreia a segunda parte dos Mestres Japoneses Desconhecidos.

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Mestres Japoneses Desconhecidos foi o título de um ciclo programado em 2021 pela The Stone and The Plot, distribuidora independente portuguesa de cinema que chegaram à Filmin a 20 de Abril com obras de versões restauradas em 4K, de Tomotaka Tasaka, Tomu Uchida e Kozaburo Yoshimura, realizadores fora do cânone com filmes nunca antes vistos fora do Japão.

A Filmin estreia agora a segunda parte deste ciclo, no dia 3 Agosto com as obras de Koreyoshi Kurahara, Yasuzo Masumura e Kirio Urayama, nomeadamente, Johnny Coração de Vidro, A Vida de uma Mulher A Mulher que eu Abandonei. 

Em Johnny Coração de Vidro (1962), obra notável de Koreyoshi Kurahara, uma jovem fugitiva de um esquema de tráfico humano, acaba por se afeiçoar pelo seu salvador Joe. Sob as roupagens do típico filme de acção do estúdio Nikkatsu, Johnny Coração de Vidro subverte as expectativas ao encenar um drama de despedidas em que as personagens estão condenadas a sofrer pelas próprias quimeras vãs, resultado de também quererem lutar contra a miséria social que as circunda. Levemente inspirado em A Estrada de Federico Fellini, mas nunca parodiando, plagiando ou citando em demasia a fonte, este filme quase todo rodado em exteriores, nas sumptuosas e selvagens paisagens litorais de Hokkaido é também um drama sobre uma mulher em fuga.

O segundo filme, A Vida de uma Mulher , uma obra complexa e tecnicamente irrepreensível de Yasuzō Masumura, baseada numa peça de Kaoru Morimoto, alvo de algumas adaptações ao grande ecrã, uma delas por Kaneto Shindô (Onibaba,The Naked Island). O filme insere-se na tradição nipónica de filmes que, partindo do caso individual de uma personagem, representam os grandes desenvolvimentos históricos do Japão. Neste caso, a narrativa incorpora, saltando da era Meiji à Shôwa (passando pela era Taishô), as primeiras quatro décadas do século XX.
Yasuzô Masumura (Irezumi, O Anjo Vermelho), cineasta de mulheres imbuído de uma modernidade arrojo crítico, orquestra uma verdadeira radiografia de um país agressivo, fechado sobre si mesmo e opressor, que faz das suas mulheres escravas de um país, de um ofício e de uma família. Passando da inocência da mocidade à conivência das ordens de um patriarcado travestido, a personagem de Kei desnovela esse olhar macroscópico, os seus sacrifícios serão os de um povo sem voz.

Por fim, A Mulher que eu Abandonei, de Kirio Urayama, baseado no romance homónimo de Shûsaku Endô – o mesmo autor de “O Silêncio”, livro sobre a presença dos padres jesuítas portugueses durante o período Togugawa (1603-1867). A Mulher que eu Abandonei retrata a vida urbana e desenraizada de uma nova e emergente burguesia japonesa, expressa no sorumbático personagem Yoshioka, preso entre as potencialidades de um casamento de aparências e a genuinidade de uma relação antiga com a mulher que ele deixara na sua juventude, Mitsu.
Retrato de um certo desencantamento, A Mulher que eu Abandonei é um dos filmes essenciais da Nova Vaga Japonesa.

Poderá ainda rever os primeiros filmes dos Mestres Japoneses Desconhecidos na plataforma: O Menino da AmaMulheres de Ginza e Cada Um na Sua Cova.

Fonte: Filmin

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