61.º Open de Portugal at Royal Óbidos

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MARCO PENGE SELA ANO MEMORÁVEL COM TÍTULO MAIS IMPORTANTE DA CARREIRA
AOS 25 ANOS, TORNA-SE CAMPEÃO NO CHALLENGE TOUR E COLOCA-SE NA LUTA PELA SUBIDA AO DP WORLD TOUR DE 2024, RIVALIZANDO COM RICARDO MELO GOUVEIA, QUE MANTÉM ESSE OBJETIVO INTACTO
 
Desde que regressou ao calendário internacional em 2017, o Open de Portugal tem mudado a vida de uma série de jogadores, como o inglês Matt Wallace, o polaco Adrian Meronk e o sul-africano Garrick Higgo, mas não há memória de algo semelhante ao que se passou ontem (Domingo) com Marco Penge.
 
Ao vencer a 61.ª edição do Open de Portugal at Royal Óbidos, num dia em que choveu e esteve, sobretudo, um vento forte, o inglês de 25 anos coroou um ano inolvidável, no qual casou-se, passou a fase de qualificação de um torneio do Grand Slam (o British Open), venceu hoje o seu primeiro título do Challenge Tour e saltou para a 19.ª posição da Corrida pra Maiorca, ou seja, passou a integrar (provisoriamente) o top-20 que no final da época apurar-se-á para o DP World Tour, a primeira divisão europeia.
 
Marco Penge, filho de um italiano, mas de nacionalidade inglesa, foi 2.º classificado nas três primeiras voltas do torneio – na quinta-feira atrás do português Tomás Bessa, na sexta-feira a perseguir o espanhol Manuel Elvira e no Sábado nos calcanhares do seu compatriota Andrew Wilson –, mas acabou por vencer à vontade, com 4 pancadas de vantagem sobre o norte-americano Julian Suri (72+67+66+71) e o italiano Lorenzo Scalize (72+67+68+69).
 
Foi o 17.º inglês a vencer o Open de Portugal, mas o primeiro desde Matt Wallace em 2017, e fê-lo com 272 pancadas, 16 abaixo do Par do Royal Óbidos Spa & Golf Resort, após voltas de 65, 68, 69 e 70.
 
Do total de 250 mil euros em prémios monetários que estavam em jogo, garantiu 40 mil, enquanto os dois vice-campeões levaram para casa 22.500 euros cada um.
 
Como o próprio Marco Penge sublinha, é incrível pensar que «há cinco semanas era o 84.º no ranking e estava preocupado em manter o meu cartão para o Challenge Tour». Agora, é um rival do português Ricado Melo Gouveia, na luta pelo top-20 da Corrida para Maiorca.
 
Ricardo Melo Gouveia chegou ao o mais importante torneio de golfe português no 21.º posto desse ranking do Challenge Tour e sabia que uma segunda vitória este ano, depois do título conquistado no Abu Dhabi, iria garantir-lhe praticamente a subida de divisão.
 
No entanto, embora tenha melhorado o seu jogo comprido ao longo do torneio, o putt não ajudou e acabou por fechar a prova no 60.º lugar, com 290 (70+72+69+79), +2. O profissional da Quinta do Lago recebeu 712 euros e desceu um degrau para a 22.ª posição no ranking. Mantém, contudo, bem vivas as suas aspirações de subir de divisão, mostrando muito bom golfe a espaços.
 
Não foi, no entanto, o melhor português, como acontecera aquando da sua última visita a Royal Óbidos (4.º classificado em 2021). Desta feita, esse estatuto foi partilhado por Ricardo Santos e Tomás Bessa, integrados no grupo dos 47.º classificados, com 287 (-1). Cada um embolsou mil euros. Santos somou voltas de 73, 69, 70 e 75, enquanto Bessa agregou rondas de 63, 76, 76 e 72.
 
Ricardo Santos, jogador do Wyndham Grand Algarve, não se arrependeu da opção de vir jogar o Open e acredita que poderá ser-lhe útil para o Open de França da próxima semana, no DP World Tour, onde milita.
 
Tomás Bessa, profissional da Cigala, fez a melhor volta do torneio (-9) e aprendeu a lidar com a pressão máxima decorrente da situação inédita de liderar um torneio do Challenge Tour; de ter feito a melhor volta de um português em Royal Óbidos; de ter igualado o recorde do campo desenhado por Seve Ballesteros. Uma lição que irá reforçar a sua experiência ao mais alto nível e um dia trar-lhe-á dividendos.
 
O melhor exemplo disso é o próprio campeão, Marco Penge, que hoje recolheu os frutos de dificuldades passadas: «Quando joguei o The Open (British Open) no ano passado, estava muito nervoso e tive mesmo dificuldades a nível mental. Este ano até falhei o cut no The Open, mas já saí do torneio satisfeito pela forma como me comportei mentalmente e isso ajudou-me, aqui, hoje».
 
Superar dificuldades foi também o desafio da Federação Portuguesa de Golfe e Miguel Franco de Sousa, o seu presidente, admitiu que, durante alguns dias, o Open chegou a estar em perigo, mas valeu a pena ter arriscado levá-lo para a frente.
 
«Esteve em perigo durante alguns dias depois de sabermos dos cortes do IPDJ e do Turismo de Portugal, a 90 dias da realização do evento. Tive uma reunião com a Administração de Royal Óbidos e, pensando bem, disse que iria assumir as consequências das perdas que vamos ter com este evento. Vamos perder umas dezenas de milhares de euros, mas é um investimento que deve ser feito. Não podemos deixar os nossos atletas profissionais sem apoios, nem podemos deixar de ter eventos que promovam Portugal, em geral, e Óbidos, em particular, enquanto destinos turísticos. A FPG está ao lado da indústria (do golfe) e vamos continuar a apoiar este evento».
 
Miguel Franco de Sousa falou, assim, aos media nacionais, depois de, na cerimónia de entrega de prémios ter agradecido, os patrocínios do IPDJ, Turismo de Portugal, Royal Óbidos Spa & Golf Resort (com Leonid e Konstantin Rachinsky presentes) e Câmara Municipal de Óbidos, na pessoa do seu presidente, Filipe Daniel.
 
 
DECLARAÇÕES DO CAMPEÃO, MARCO PENGE
 
«Esta foi a minha segunda vitória enquanto profisisonal, mas a primeira foi na terceira divisão, em Inglaterra. Ganhar no Challenge Tour é, obviamente, o meu maior feito. É incrível. Nem sei o que dizer, ainda nem tomei consciência.
 
«Nas últimas cinco semanas dei um salto enorme no ranking, de 84.º agora para 19.º, o golfe estamos a apenas uma semana de transformar um ano mediano num ano bom.
 
«Há ainda muito golfe para se jogar esta época, mas esta vitória é meia porta aberta para o DP World Tour.
 
«Adoro este campo, tomara que houvera mais campos como este no Challenge Tour. É um campo digno de DP World Tour. Esta é daquelas semanas porque anseio sempre (foi a sua terceira participação), porque sinto que está no top-3 dos locais onde sei que posso ganhar.
 
«Eu adoro Portugal. Passei muitos Invernos no Algarve, tenho amigos dos tempos das seleções amadoras portuguesas, com os quais cresci, é um grande país, é um dos meus sítios preferidos do Mundo e vir aqui ganhar o vosso Open nacional é um prazer». 
 
 
DECLARAÇÕES DOS PORTUGUESES
 
Ricardo Santos: «Apesar de não ter corrido como eu gostaria, foi bastante positivo ter vindo, porque sinto-me a jogar bastante bem.
 
«O putt é aquela coisa… umas vezes entra e outras não. Acho que não toquei mal na bola, simplesmente foi daquelas semanas em que não me adaptei aos greens. Há que não pensar que estou a “patar” mal, porque não é o caso.
 
«Joguei bastante sólido do tee ao green e especialmente com estas condições de hoje (chuva e vento). Hoje falhei apenas dois shots, de resto estive quase sempre a “patar” para birdie, só que voltei a não meter nenhum putt».
 
Tomás Bessa: «As condições hoje estavam muito difíceis e o Par do campo (hoje) é um resultado que pode parecer mediano, mas, no dia de hoje, diria que é bem acima e bem melhor do que a média do “field”.
 
 
«As expectativas ficaram altas após o primeiro dia (comandou a prova). Foi uma situação nova para mim e é nestas situações que eu quero estar, na frente dos torneios ou na luta pelos títulos e só se aprende a gerir estas situações estando nelas. Foi uma grande aprendizagem para mim, gerir todo esse ambiente que criou-se à minha volta. Não vou dizer que não me afetou, porque é claro que afetou, mas foi bom e retirei muita aprendizagem».
 
Ricardo Melo Gouveia: «Apesar de ter saído com uma má volta no último dia, isto não irá afetar-me para os próximos torneios. Tenho uma grande equipa à minha volta e vou superar esta volta menos boa.
 
«Estamos ali muitos jogadores juntos na entrada para o top-20 (do ranking do Challenge Tour).
 
«Hoje esteve difícil desde o início, com vendaval e chuva, até foi preciso parar o jogo (durante 15 minutos). Esteve sempre muito vento e tive dificuldades em adaptar-me a essas condições. Foi apenas uma volta menos boa, com condições adversas, mas há coisas que quero melhorar para os próximos torneios, para atingir os meus objetivos».
 
Texto: Hugo Ribeiro
fotografias: © Rodrigo Gatinho/FPG
 
Fonte:opendeportugal.com
 

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