Viagens na nossa terra – Viseu

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Gosto da sensação acolhedora do regresso. De voltar a lugares que conheço. Do sorriso cortês nas caras familiares. Do abraço sentido dos velhos conhecidos. De deambular por ruas que me trazem lembranças de sons, de cheiros, de momentos. Não são muitas as cidades em que descubro estas sensações, mas por maioria de razão Viseu é uma delas.

Durante muitos anos Viseu foi a minha cidade. Melhor, durante muitos anos, Viseu foi a cidade. Nascido nas encostas solarengas do Dão, janela aberta à imensidão da Serra, cresci numa espécie de redoma aquiliniana que se abria de tempos a tempos para ir à cidade e descobrir, com excitação, a história das casas, das igrejas, das ruas, o corre-corre agitado das pessoas, o encanto dos parques, a simpatia das gentes. E, apesar da dimensão assustadora de quase tudo para uma criança só habituada a jardins e a vinhedos, havia uma magia encantatória que me atraía e tornava familiar aquele local distante e quase inacessível.

Depois, foi a descoberta duma outra cidade na idade de todas as descobertas. Dos primeiros beijos “roubados” à socapa na reconfortante penumbra das árvores do Parque Aquilino Ribeiro, dos westerns do Peckinpah no velhinho Cine Rossio, dos primeiros traçadinhos bebidos de trago nas obscuras tascas da Rua Direita, dos amigos jurados para a vida no Liceu Alves Martins, das tardes de bilhar no Clube, marcadas pelas inesquecíveis torradas da D. Alice.

Com as certezas da juventude vem o desencanto com o que nos é próximo. Cheios de sobranceria, olhamos com desdém tudo o que até então nos encantou, desdenhando da pequenez, do provincianismo, da falta de cosmopolitismo. Inflados de ambição, sonhamos com o glamour de Nova Iorque, com os basfonds jazzísticos de Paris e até com a “movida” madrilena. E partimos…

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