Viagem fotogrÁFRICA

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Percorrer três mil quilómetros em terras africanas, de camião, por entre estradas que ainda não existem, não é o ideal de férias para muitos. Mas, para Hugo Macedo, tornou-se numa viagem a repetir uma e outra vez. Apesar das dificuldades reais de um continente pré-evoluído, capturar a beleza inegável das gentes, animais e paisagens com a sua máquina fotográfica apagou o cansaço físico. As imagens, essas, ficam para sempre.
Talvez lhe corra no sangue. Há sessenta anos, o avô deste também fotógrafo, esteve precisamente em África, a fixar imagens até então desconhecidas. Em Junho deste ano, o neto daquele outro fotógrafo, rumou ao Quénia e à Tanzânia, juntamente com um amigo, para imortalizar aqueles países. Durante 20 dias esqueceu as comodidades que só os civilizados conhecem e emergiu na imensidão da savana africana. Falou com os nativos, observou os animais, respirou o ar – aquele ar quente – e pisou a terra – aquela terra avermelhada – que só quem visitou o continente africano (re)conhece.
De vermelho vestem os Masai, tribo étnica que habita predominantemente o Quénia e a Tanzânia, e com quem Hugo Macedo chegou a partilhar alguns momentos. Recorda essencialmente a simpatia e a simplicidade daqueles que iluminam uma foto com um simples sorriso – como aquelas crianças que, ao receber um doce (quem sabe pela primeira vez), sentem a vontade singela da partilha. Recorda igualmente os sons: intensos, selvagens, reais. Não sentiu medo no contacto com outra realidade. Talvez a sua lente filtrasse, além da luz e dos contrastes, aquele mundo paralelo, quase suspenso, que apenas nos surge na caixa mágica lá de casa.
Estas fotografias são retratos falantes. Dizem-nos o que se passa daquele lado, sem que seja preciso estar por ali. Talvez sejam momentos que nos corram no sangue.
Porque o rosto de uma criança a sorrir é universal.
Porque o rugido de um leão soa a familiar mesmo no silêncio de uma foto.
Porque um pôr-do-sol reflectido num rosto vivido embeleza qualquer expressão.
A viagem terminou no Arquipélago de Zanzibar, ao largo da costa da Tanzânia. Das fotografias saltam crianças, em trejeitos tão naturais como os dias que passam sem calendário.
Agora, em qualquer lado do mapa, voltar a África é sempre possível.
Basta viajar por estas imagens.

Por: Paula Pinto Gonçalves
Fotografia: Hugo Macedo

 

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