Do Fantasma, do Monstro, das Drogas e outras experiências noctívagas.

24 views

Podia começar pela vez em que ouvi um monstro na rua, em plena Lisboa, por volta das 11 da noite. Mas começo antes pelo encontro com o fantasma e só depois as coisas sérias.

Eu e o meu irmão André teríamos uns quatro e cinco anos, respetivamente, quando andávamos a passear entre a aldeia onde vivia o nosso pai e o estúdio que cava no cimo da falésia. Lá em baixo ardia uma enorme fogueira onde se encontrava reunida toda a aldeia. Eram músicos, artesãos, pintores e, acima de tudo, eram livres. À volta do fogo cantava-se, tocavam vários instrumentos e ria-se muito. Era uma vida tão marcante quanto bonita. Dávamos tantos passeios despreocupados nesses benditos dias em que as crianças andavam à solta e só quase voltavam a casa para comer. Nesses longínquos tempos em que não existiam predadores, ou não se ouvia falar deles, nem redes sociais para li(n)xar, educar e julgar os pais. Mas amigos tontos isso havia. E com fartura.

Andávamos nós, então, a passear pela falésia e eis que aparece um fantasma. O verdadeiro fantasma coberto de lençol dos pés à cabeça a fazer sons de assombração, tal como os conhecíamos dos desenhos animados. O que, para nós, crianças, seria o mesmo que o “verdadeiro”. Andou uns bons metros na nossa direcção e nós, no escuro, paralisámos de medo. Como num sonho mau, sem emitirmos um só som, até que se aproximou e nos pegou ao colo enquanto desatava a rir. Este nosso amigo vivia no cimo da aldeia, numa casa um bocado mais isolada e talvez por isso fosse o único que tinha corrente na porta. Esta era uma aldeia hippie e, segundo consta, a primeira de seu género a ser construída em Portugal.

Por: Marta Gonzaga

Ler na íntegra aqui

Ads