O copo do café

87 views

Tomar um café ou beber um café, segundo o lugar de Portugal onde este facto social acontece, é um momento de específico significado, segundo a hora do dia a que acontece: de manhãzinha, tomado à pressa, ajuda a ganhar alguma energia; a meio da manhã, num curto intervalo do trabalho, justifica curta pausa e ajuda às primeiras trocas de impressões, aos comentários da bola ou da política. Após o almoço, o cafezinho é uma instituição nacional. O café (espaço físico) é o lugar ideal para um café bem tirado. À volta da mesa ou no convívio de várias, o relacionamento é de iguais, ficando na rua o cerimonial de importâncias ou hierarquias. Depois do jantar propicia oportunidades para longas conversas e decisões de particular importância.

– Combinado. Tomamos um café e discutimos isso.

Antigamente, antes do aparecimento das maquinetas sofisticadas que nos oferecem um expresso aromático, o café era de saco, saco de pano branco, talvez flanela, onde se abrigava o pozinho que, depois de um banho de chuveiro, havia de dar uma bebida de sabor particular, sempre quentinha, quase a escaldar, guardada em máquina própria equipada com adequado sistema de aquecimento.
Bebia-se em copo de vidro, a peça que este mês vos apresentamos, de fundo alto, onde fosse possível pegar sem queimar as mãos. O desenho do copo – mais largo em cima do que em baixo – permitia que uma argola de madeira que ainda não conseguimos encontrar, servisse para segurar o copo com mais comodidade.

Com o aparecimento e uso das tais maquinetas, o café trocou o copo pela chávena e também mudou de nome: café, no copo; cimbalino, na chávena, na região do Porto; bica, na região de Lisboa, igualmente na chávena. Esperamos a vossa compreensão, mas temos de ficar por aqui, pois está na hora do nosso cafezinho. São servidos?

 

Fotografia:

No de inventário: 670;
Altura: 7,7 cm;
Diâmetro: 6,4 cm

 

Fonte: ASSOPS-Associação de Passos de Silgueiros

Ads